O uso da bicicleta nos EUA: As mudanças geradas pelas ciclovias segregadas

Portland, Estados Unidos. © Steven Vance, via Flickr   Portland, Estados Unidos. © Steven Vance, via Flickr

O aumento recente do número de ciclistas nas cidades brasileiras coloca em pauta a necessidade de uma infraestrutura cicloviária que proporcione mais segurança aos trajetos em duas rodas e que conviva pacificamente com quem se desloca a pé, em transporte público ou de carro.

Para conhecer soluções para esta necessidade, é útil ver o que têm feito outras cidades em relação a esse assunto.

Assim, mostramos a seguir um estudo que revela algumas cifras dos efeitos positivos gerados pela implementação de ciclovias segregadas das pistas dos veículos automotores em cinco cidades estadounidenses, onde não apenas os trajetos se tornaram mais seguros, como também o número de ciclistas aumentou.

Uma ciclovia garante mais segurança às pessoas que se transportam pela cidade de bicicleta?

Esta foi a principal questão da enquete realizada pelo acadêmico Christopher Monsere, da Portland State University, como parte de uma pesquisa que buscava conhecer as consequências da implementação de ciclofaixas em Austin, Chigaco, Portland, São Francisco e Washington. Cabe mencionar que algumas destas cidades não apenas não contavam com ciclovias segregadas, como em certos lugares não havia ciclovia alguma.

A segurança efetivamente se tornou uma realidade e, se analisarmos os números, os resultados são muito encorajadores para se considerar as ciclovias uma opção para as cidades brasileiras.

De acordo com os resultados, nas novas ciclovias segregadas o número de ciclistas passou de 21% para 171% nos casos mais extremos. Além disso, através de enquetes pôde-se determinar que os cidadãos que optaram pela bicicleta como meio de transporte – e que utilizavam outro meio de transporte motorizado – representam 10%.

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Assim, o estudo permite concluir que as ciclovias segregadas não apenas fazem com que os ciclistas se sintam mais seguros, como também incentivam o uso da bicicleta como meio de transporte público.

Via Plataforma Urbana. Tradução Arthur Stofella, ArchDaily Brasil.

Fonte:Constanza Martínez Gaete. "O uso da bicicleta nos EUA: As mudanças geradas pelas ciclovias segregadas" 02 Sep 2014. ArchDaily. Accessed 3 Set 2014. http://www.archdaily.com.br/br/626273/o-uso-da-bicicleta-nos-eua-as-mudancas-geradas-pelas-ciclovias-segregadas

Sistema "invisível" de captação solar se torna realidade

Energia solar sem interferir na vista: Yimu Zhao segura um módulo do concentrador solar luminescente transparente. Imagem © Yimu Zhao       Energia solar sem interferir na vista: Yimu Zhao segura um módulo do concentrador solar luminescente transparente. Imagem © Yimu Zhao

Sistemas de captação solar não precisam ser óbvios. Com efeito, agora eles podem ser invisíveis, graças aos pesquisadores da  Michigan State University (MSU) que desenvolveram um concentrador solar luminescente (LSC) transparente que pode ser aplicado em janelas e outras superfícies translúcidas.

A tecnologia LSC não é nada de novo, mas seu aspecto transparente é. Tentativas anteriores geraram resultados ineficientes e de cores vibrantes; segundo Richard Lunt, professor assistente de engenharia química e materiais da MSU, "Ninguém que se sentar atrás de um vidro colorido." A seguir, saiba mais sobre como a equipe de pesquisadores conseguiu criar esse material coletor transparente.

Lsc-in-lab         Concentrador solar luminescente transparente em comparação a um similar colorido ao fundo. Imagem © G.L. Kohuth

A nova tecnologia é transparente pois visa justamente os comprimentos de onda da luz solar que não estão no espectro visível. O LSC utiliza moléculas orgânicas para captar os comprimentos de onda ultravioleta e infravermelho, que então "brilham" em outro comprimento de onda infravermelho. Este "brilho" infravermelho é direcionado para as bordas do material onde é convertido em eletricidade por faixas de células fotovoltaicas.

A tecnologia LSC transparente apresenta atualmente uma eficiência de conversão próxima a 1%, ao passo que os melhores sistemas LSC coloridos atingem até 7%. No futuro, a equipe de pesquisadores espera otimizar a produção de energia da tecnologia, visando ultrapassar os 5% (compare isso aos 15-20% das células fotovoltaicas disponíveis no mercado).

Zhao-and-lunt       Yimu Zhao e Richard Lunt realizando um teste em laboratório do material. Imagem © G.L. Kohuth

Essa tecnologia apresenta diversas vantagens, além de ser esteticamente agradável. Primeiramente, ela pode ser usada em uma série de aplicações e tem potencial de ser desenvolvida em escala comercial e industrial a um custo acessível, de janelas a telas de celulares. Em segundo lugar, a tecnologia pode ser usada para diminuir o ganho de calor solar, já que captura especificamente as ondas infravermelhas. Segundo Lunt, "já existe tecnologias de filtros para janelas que rejeitam a luz infravermelha, como os revestimentos low-E. Nos buscamos uma funcionalidade similar ao mesmo tempo que geramos eletricidade.

O restante da equipe de pesquisadores é composto por Yimu Zhao, estudante de doutorado em engenharia química e ciências materiais; Benjamin Levine, professor assistente de química; e Garrett Meek, estudante de doutorado de química.

 

Fonte:Whelan, Jennifer. "Sistema "invisível" de captação solar se torna realidade" [Invisible Solar Harvesting Technology Becomes Reality] 02 Sep 2014. ArchDaily. (Romullo Baratto Trans.) Accessed 2 Set 2014.  http://www.archdaily.com.br/br/626624/sistema-invisivel-de-captacao-solar-se-torna-realidade?ad_medium=widgets&ad_name=most-visited-stream

AsBEA-RS lança Caderno Técnico sobre Norma de Desempenho de Edificações

Publicação busca facilitar o entendimento das novas exigências da cadeia da construção

Caderno Técnico sobre Norma de Desempenho de Edificações

A Norma de Desempenho das Edificações - Norma Brasileira (NBR) 15.575, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) - estabelece maiores exigências de segurança, habitabilidade e sustentabilidade em imóveis residenciais. A partir de agora, a responsabilidade legal pelo empreendimento é compartilhada entre toda a cadeia da construção - incorporadores, arquitetos, fornecedores e consumidores.

A Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA-RS), numa iniciativa pioneira no Brasil, lança o Caderno Técnico da Norma de Desempenho, resultado da pesquisa de oito arquitetos da entidade, que buscaram uma maneira de facilitar o entendimento das Normas de Desempenho. “Essa é a primeira publicação da AsBEA-RS com dados técnicos. Todos precisarão, mais cedo ou mais tarde, adaptar-se às normas. Buscamos um jeito mais ‘amigável’ para esse primeiro contato com o tema. A proposta é oferecer aos profissionais uma interpretação das normas”, comenta. A NBR 15.575 determina questões como desempenho acústico e térmico, durabilidade, garantia e vida útil, e impõe um nível mínimo obrigatório para cada uma delas.

Para marcar o lançamento da publicação, a AsBEA-RS realizou, no dia 29 de agosto, o II Seminário Norma de Desempenho, que reuniu mais de 150 arquitetos e engenheiros no auditório do Hotel Laghetto Viverone, em Porto Alegre. Entre os palestrantes, Roberto Sukster, gerente de planejamento da Nex Group, Maria Angelica Covelo da Silva, diretora da NGI Consultoria e Desenvolvimento (SP), e Bernardo Tutikian, coordenador do ITT Performance da Unisinos.

Para Clarice Debiagi, a Norma de Desempenho das Edificações "é uma oportunidade de promover reconhecimento e valorização ao conhecimento técnico dos profissionais. No entanto, como toda a novidade, a norma causa algum receio. Nossa nova publicação, resultado da dedicação e do estudo de nossos arquitetos, deve facilitar o entendimento da norma, que diferenciará profissionais pela qualidade”, reforça a arquiteta.

O Caderno Técnico sobre a Norma de Desempenho está disponível na AsBEA-RS (Rua André Puente, 441/403 - Porto Alegre) pelo valor de R$ 55. Escritórios de todo o Brasil podem fazer suas encomendas pelo e-mail asbea@asbea-rs.org.br ou pelo telefone (51) 3026.2236 com Eliane

Fonte: http://www.asbea.org.br/escritorios-arquitetura/noticias/asbea-rs-lanca-caderno-tecnico-sobre-norma-de-desempenho-de-edificacoes-326536-1.asp

O Museu da Casa Brasileira prepara retrospectiva sobre a forma democrática de organizar exposições criada por Lina Bo Bardi

museu de arte de são paulo são paulo, sp, 1957-1968. projeto de lina bo bardi lina bo bardi | desenho de apresentação: perspectiva com colagem indicando objetos e esculturas expostas

Dezembro marca o centenário de Lina Bo Bardi, que morreu em 1992, e oMuseu da Casa Brasileira, em São Paulo, preparou a homenagem Maneiras de Expor, sobre a arquitetura expositiva criada pela italiana, que desembarcou no Brasil em 1946.
Giancarlo Latorraca, diretor técnico do museu e curador da exposição, trabalhou no escritório de Lina e é um apaixonado pelas soluções que revolucionaram a forma de mostrar obras de arte ao público. “Ela não só dominava tecnicamente o sistema expositivo como fazia com que ele fosse a base de um discurso afiado”, diz. “Suas mostras eram verdadeiras provocações. Lina soube como ninguém democratizar o espaço erudito dos museus. Com Pietro Maria Bardi, começou retirando os quadros das paredes. Posteriormente, trouxe à tona tabus como a inserção da cultura popular brasileira nesses espaços.”
Convidada a lecionar na Universidade Federal da Bahia, Lina assume, na década de 1950, a direção do Museu de Arte Moderna da Bahia, que desperta seu desejo de mostrar tradições ancestrais do país. É dessa fase a mostra Bahia no Ibirapuera, organizada na marquise do parque paulistano em 1959, durante a 5a Bienal Internacional de Arte de São Paulo. “Ela questionava as fronteiras entre arte e artesanato em um ambiente sensorial e poético, com música e danças típicas, acarajés, acabamentos rústicos e folhas de árvores espalhadas pelo chão”, diz Latorraca.

Leia a matéria completa na seçãoexposição 2 da bamboo de agosto.
Maneiras de Expor
quando: de 19/08 a 09/11
onde: museu da casa brasileira, são paulo

Fonte: http://www.bamboonet.com.br/posts/o-museu-da-casa-brasileira-prepara-retrospectiva-sobre-a-forma-democratica-de-organizar-exposicoes-criada-por-lina-bo-bardi

Começa a votação para eleger “O Melhor da Arquitetura”

Teve início no dia 29 de agosto e se estende até 25 de setembro a fase em que o público em geral pode votar – através da página online - e escolher os projetos vencedores da sétima edição do prêmio “O Melhor da Arquitetura”, promovido pela revista Arquitetura & Construção.

A equipe de redação da revista selecionou, na 1ª fase, 53 de um total de 405 projetos arquitetônicos inscritos. Os vencedores (um por categoria, das 17 existentes) receberão o troféu "O Melhor da Arquitetura 2014", além da publicação dos projetos na revista.

Nessa 2ª fase, além da votação por meio do site - que tem peso na nota final de cada projeto -, uma comissão julgadora, formada por professores e críticos de arquitetura, historiadores da área e editores, avalia os projetos e dá notas de acordo com os critérios estabelecidos, como funcionalidade, solução plástica, qualidade ambiental, implantação e integração com o entorno. Da tabulação dessas notas, que inclui o voto popular, sairão os vencedores.

Neste ano o prêmio “O Melhor da Arquitetura” tem como missão reconhecer e celebrar os projetos arquitetônicos construídos no Brasil, nas mais diversas escalas. Segundo a redatora-chefe da revista, Marianne Wenzel, “o prêmio serve também para democratizar o debate sobre os grandes temas da arquitetura. Aos poucos, principalmente no Brasil, a população começa a perceber a importância da organização e qualidade dos espaços, sejam eles públicos ou privados”.

Os projetos arquitetônicos inscritos devem se enquadrar nas 17 categorias da premiação como obras realizadas e concluídas no território nacional no período de 01 de janeiro de 2011 a 31 de maio de 2014.

As categorias do prêmio "O Melhor da Arquitetura" são: Intervenção Urbana; Retrofit; Escolas e Universidades; Bares e Restaurantes; Edifícios Culturais; Edifícios Comerciais (menos de 2 mil m²); Edifícios Comerciais (mais de 2 mil m²); Espaços Comerciais; Lojas; Escritórios; Condomínios residenciais; Reforma de casa; Reforma de apartamento; Casa de praia; Casa de campo; Casa urbana (menos de 300 m²); Casa urbana (mais de 300 m²).

Fonte:Romullo Baratto. "Começa a votação para eleger “O Melhor da Arquitetura”" 01 Sep 2014. ArchDaily. Accessed 1 Set 2014. http://www.archdaily.com.br/br/626259/comeca-a-votacao-para-eleger-o-melhor-da-arquitetura

Uma cidade sem carros: A superação do domínio do automóvel em Nova Iorque

© Flickr CC User Healey McFabulous      © Flickr CC User Healey McFabulous

Originalmente publicado na Metropolis Magazine como “Playing in Traffic“, este artigo de Jack Hockenberry investiga a relação entre o homem e o veículo, ilustrando a dinâmica complexa criada em Nova Iorque - uma cidade com mais de 2,1 milhões de veículos registrados. Ao contrário dos esquemas que colocavam o carro como elemento central, do famoso ex-chefe de planejamento urbano de Nova Iorque, Robert Moses, Hockenberry argumenta que a cidade é o "espaço negativo", ao passo que os veículos são obscurecidos pelo nosso inconsciente.

É uma curiosidade da vida urbana moderna que, quanto mais carros se aglomeram em cidades, mais eles se tornam invisíveis. É uma característica padrão em qualquer cidade grande de hoje. Infelizmente, não podemos controlá-la a partir do assento do condutor - por mais que gostaríamos de acenar as mãos e assistir através de nossos pára-brisas os carros desaparecendo e libertando-nos da prisão do tráfego. A invisibilidade de que estou falando só ocorre se você é um pedestre ou ciclista. O número de veículos motorizados estacionados ou em movimento em qualquer hora nas ruas de Nova Iorque é surpreendente. De acordo com o Departamento de Veículos Motorizados do Estado, estima-se que 2,1 milhões estão registrados na cidade. Ainda assim, registrá-los nunca os farão totalmente visíveis quando estamos andando nas ruas. A cidade é o espaço negativo e é assim que nossos olhos percebem cada vez mais as paisagens urbanas. Tudo em torno dos carros e caminhões se entrelaçada pelo olho e, apesar de os veículos estarem presentes, gradualmente aprendemos a ignorá-los, menos quando estamos parados na linha direta do fluxo de trânsito.

225063297_7937fffac1_b    Times Square em 1973, perto do fim da era Robert Moses, dominada por veículos. Imagem © Flickr CC User Bastian

Mesmo assim, as pessoas regularmente caminham pelas ruas, entre os carros, de maneiras inexplicáveis. Isso acontece na West Side Highway, em Manhattan, o tempo todo. Não são apenas os carros que se tornaram objetos invisíveis; as próprias estradas são "aparições de asfalto" por onde as pessoas passam apressadas com os olhos no novo Hudson River Park e em suas redes de calçadas gramadas e ciclovias. É como se existisse dois domínios separados que não se cruzam: a cidade dos veículos e todo o resto. A cidade peatonal tem suas atrações turísticas famosas, como a Macy's, os museus, e o novo santuário 9/11 Ground Zero. O mesmo acontece com a cidade de veículos. Elas são os ônibus de dois andares com a parte de cima descoberta inexplicavelmente cheios de pessoas perfeitamente felizes em sentar-se na chuva, calor, neve ou assistindo um super-slow-motion da cidade em 3D com uma trilha sonora muito ruim. Algumas pessoas também podem ser vistas gravando vídeos de seu trajeto de ônibus, embora seja difícil imaginar o público para um documentário desses, onde aparecem todos os lugares interessantes que elas não pararam para visitar. Em geral, os veículos e os civis coexistem a um grau notável, mas as interseções entre esses dois mundos pode ser fatal e é uma importante missão do desenho urbano descobrir como surgem os sinais e as placas que mantem os pedestres e veículos separados.

52ce4e57e8e44e849600007e_snohetta-makes-times-square-permanently-pedestrian_archdaily_times-square_aerial     No início do ano, Snøhetta concluiu a primeira fase de um plano para tornar a Times Square exclusiva para pedestres. Imagem Cortesia de Snøhetta

Esse conto sobre as duas cidades que ocupam o mesmo espaço é visto melhor a partir de uma bicicleta. Com o inverno deste ano, que foi particularmente longo e sombrio, meus primeiros longos passeios de bicicleta revelaram uma cultura de rua ressurgente emergindo em cada lugar para caminhadas e passeios. Há pessoas em todos os lugares, usando os espaços que teriam sido cobertos de concreto há apenas alguns anos atrás. A proliferação de trailers de comida, café de rua, clubes pop-up e espaços de arte em edifícios bem à beira de estruturas rodoviárias retratam uma população ignorando a cidade do automóvel, não sendo derrotada por ela. A jornada da Ponte Verrazano-Narrows ao norte, ao longo da Brooklyn-Queens Expressway (BQE), por meio de Williamsburg, e do outro lado da Ponte Kosciuszko em Queens é viva, com novos edifícios residenciais e revitalizações. Há uma cultura animada de cafés ao longo da BQE, como se os fantasmas dos bairros de outrora tivessem encontrado um caminho de volta além do esquecimento originado através do falecido Robert Moses.

Muito foi publicado a favor e contra Moses, o mestre construtor, visionário de transporte, político e artista das motosserras. (Mais recentemente, no entanto, revisionistasreconsideraram o legado de Moses). Opor-se ao trabalho de Moses deu a Lewis Mumford um ideologia e à ativista Jane Jacobs uma causa. A história de Moses e Jacobs pode, inclusive, se tornar um dia uma ópera em tom bíblico. O argumento durante a vida de Moses e do consenso desde a sua morte, em 1981, foi que ele sacrificou os bairros em prol de seu conceito de artérias, fazendo surgir carros e caminhões. Este projeto da cidade moderna do século XX tornou-se o adubo para o impasse e não seu antídoto.

26459141_45433f4f09_o   A via expressa Cross-Bronx foi um dos grandes projetos de construção de estradas de Moses. Imagem © Flickr CC User Zachary Korb

O pensamento de Moses nos leva para mais perto da expansão e do congestionamento deLagos ou Cairo, criando o sonho da cidade do futuro na Feira Mundial de 1964 no Queens. Sua visão da futura cidade construída de concreto, asfalto, aço e rodas - que foi o destino de praticamente todas as áreas urbanas nos Estados Unidos - pode ser visto em meu caderno de anotações de 50 anos atrás: trilhos e vias arborizadas para substituir metrôs; "Studyspheres" pessoais conectadas globalmente que substituem as escolas e bibliotecas, com carros como os agentes de libertação. O legado de Moses é um sistema de transporte público que adoece e que demoliu guetos e desmatou florestas. Até mesmo o local da Feira Mundial se tornou uma piada visual em filmes como Homens de Preto eHomem de Ferro. Os leitores desta revista devem bem compreender o resto.

Quase duas gerações de iniciativas políticas e ainda não se conseguiu desfazer o que fez Moses (se revelou muito mais caro demolir os monumentos de Moses do que construí-los), mas em silêncio o povo da cidade aperfeiçoou uma forma de renovação urbana que faz parte de uma renovação interior. Com seus olhos desviados, as pessoas têm encontrado uma solução alternativa ao projeto de Moses. O South Bronx (batizado por Moses comoCross Bronx Expressway) ou o Red Hook, no Brooklyn (atravessado pelo Gowanus Expressway e pelo canal poluído de mesmo nome), se tornaram enclaves hipsters, como jardins nos lotes vagos, e as empresas de artesanato local acabaram encontrando uma maneira de se misturar com os moradores dos conjuntos habitacionais, para o benefício de ambos. Isso também pode ser visto no desenvolvimento bem sucedido de Dumbo e doBrooklyn Bridge Park que surgiram a sombra do BQE, onde as crianças brincam em um carrossel renovado sob estradas que ninguém mais presta atenção. O que é ainda mais surpreendente sobre o Brooklyn Bridge Park é como o barulho do tráfego constante é ignorado, tanto quanto a rodovia de dois andares. O recurso de projeto mais notável no parque, na verdade, é um grande acostamento de terra que protege parte do parque do som do tráfego na BQE. Quando esse trecho da rodovia for fechado, o silêncio será claramente ensurdecedor e será um sinal de como os ouvidos dos nova-iorquinos têm filtrado a "cidade do veículo" tanto quanto seus olhos.

Veja o vídeo: http://vimeo.com/83173191

As pessoas não percebem os carros e as rodovias hoje, porque estes, na verdade, não são a cidade. Eles nunca foram. Quando a neve finalmente derreteu nessa primavera, as estradas e pontes esburacadas de Moses pareciam piores do que nunca. As pessoas desses novos enclaves surgiram com os seus óculos de sol e bicicletas, puxaram algumas mesas e cadeiras para desfrutar da cidade e observar o legado do mestre das obras que continuam a derreter lentamente junto com as pilhas de lama enegrecidas do fim de inverno. Nova Iorque é quase uma utopia nos dias de hoje, mas os espaços ao redor dos carros e do asfalto se tornaram destinos de pessoas, lugares e bairros. Hoje as estradas e pontes da cidade do veículo, em Nova Iorque, são lugares ocasionalmente úteis para visitar, mas ninguém jamais iria querer morar lá.

Fonte:John Hockenberry. "Uma cidade sem carros: A superação do domínio do automóvel em Nova Iorque" [A City Without Cars: New York's Recovery from Automobile Dominance] 31 Aug 2014. ArchDaily. (Camilla Sbeghen Trans.) Accessed 1 Set 2014.  http://www.archdaily.com.br/br/626208/uma-cidade-sem-carros-a-superacao-do-dominio-do-automovel-em-nova-iorque?utm_source=ArchDaily+Brasil&utm_campaign=56ab297e8e-Archdaily-Brasil-Newsletter&utm_medium=email&utm_term=0_318e05562a-56ab297e8e-407774757

Primeiro lugar no concurso para Nova Sede do Clube Curitibano / Arqbox Arquitetura

Fachada principal. Image Courtesy of Arqbox         Fachada principal. Image Courtesy of Arqbox

No dia 1º de abril, o Clube Curitibano lançou um concurso de projetos para a nova sede no bairro Mercês, em Curitiba. Por meio de carta convite, trinta escritórios da cidade participaram do evento. A primeira fase do concurso contemplou a entrega de quatro pranchas com a descrição de um estudo preliminar para a nova sede, as quais foram analisadas por uma comissão julgadora interna, com membros da diretoria do clube. Nesta fase, apenas dezoito escritórios entregaram suas propostas. 

primeiro lugar

Competição: Nova Sede Mercês – Clube Curitibano
Premio: Primeiro Lugar
Projeto:
Autores: Jacksson Depoli, Michelle Schneider e Vivian Brune, Daniel Olivares, Charles Jaster, Marcelo Azuma, Daniel Gargiulo, Jeferson Oliveira, Glaucia Silva, Isabela Paredes e Stephanie Heinrichs , Curitiba, Paraná, Brasil, 22.036 m², 12.650 m², 2014

No dia 4 de junho foram anunciados os três finalistas, que deveriam, a partir dali, desenvolver um estudo, ainda preliminar, mais aprofundado para a construção da nova sede, a ser apresentado em dez pranchas e em um curto vídeo (opcional). O clube providenciou a confecção de maquetes físicas para os três projetos finalistas, as quais ficaram expostas cerca de três semanas no clube para que os sócios pudessem votar na proposta que julgassem melhor.

Finalmente, no dia 14 de agosto foi anunciado o escritório Arqbox como o vencedor do concurso.

PARTIDO

A solução arquitetônica apresentada visou atender às demandas atuais de espaço físico do clube e propor o melhor desempenho das atividades futuras, de maneira integrada, por meio de qualidade conceitual e estética, acessibilidade, conforto ambiental, bem estar, sustentabilidade, segurança, identidade, viabilidade técnica e adaptação ao terreno e entorno existente. O aspecto plástico do edifício almejou traduzir o caráter de edifício sóbrio, diferenciando-se das edificações típicas residenciais e comerciais, mas sem prejuízo à sua relação com o contexto local. O edifício se comporta como uma escultura branca, um monobloco icônico de design atemporal, funcionando como símbolo para o clube e para o bairro.

002     Acesso de pedestres. Image Courtesy of Arqbox

O acesso principal de pedestres e veículos é exclusivo pela Rua Jacarezinho, mas permanece com a comunicação visual para as Ruas Solimões e Capuchinhos. A faixa edificável de 60m da rua de acesso delimitou onde o edifício deveria ser implantado. O edifício teve que ser pensado dentro da área limite, paralelamente a via de acesso, o que possibilitou maior área para atividades externas no fundo do lote, que tem a sua maior porção no miolo da quadra, protegido, permitindo uma maior segurança e domínio visual de todas as atividades, evitando pontos cegos. Por isso, foi proposto ali o Clube de Piscinas, onde a topografia é marcada por um platô longitudinal, na sua maior parte com característica plana, o que facilitou a implantação das piscinas. A solução longilínea do edifício também trouxe à tona outra condicionante relevante que é a orientação solar Norte-Sul do seu eixo longitudinal, o que exigiu proteção da insolação direta nas suas fachadas leste e oeste.

010       Edifício completo e clube de piscinas. Image Courtesy of Arqbox

PROGRAMA

Adequação topográfica, ao zoneamento e à setorização do programa foram critérios primordiais do projeto. A distribuição das áreas programáticas foi determinada pela manutenção da quadra de futebol existente, com as áreas de esportes para o lado direito do acesso principal, pela Rua Jacarezinho, e as áreas sociais logo dispostas à frente, beirando o bosque das araucárias. Como foram exigidas duas etapas de execução para a nova sede, o maior programa, áreas sociais, clube de piscinas, estacionamento, restaurante, academia e quadra de futebol, foi proposto para a primeira etapa e na segunda etapa serão construídas as demais áreas esportivas (quadras poliesportivas e de vôlei de praia), com a cobertura da quadra de futebol. Para promover a viabilidade econômica do empreendimento, foi aventada uma terceira etapa, na qual serão implantados clube de tiro e centro de estética, além da ampliação do estacionamento. Desta maneira, a setorização da proposta se subdividiu em mais fases, o que possibilita um cronograma técnico-financeiro mais flexível.

007       Arquibancada externa e campo de futebol. Image Courtesy of Arqbox

O estacionamento acontece em três pavimentos subsolos, sendo que no primeiro compartilha espaço com banheiros, vestiários, áreas de serviço e apoio, carga/ descarga e área de embarque/desembraque de pessoas. No térreo, o restaurante foi locado logo na entrada para proporcionar a flexibilidade de seu uso, ora privativo do clube ora aberto à comunidade. Isso também se aplica a Quadra de Futebol, cujo espaço poderá ter diferentes possibilidades de uso como eventos esportivos, shows musicais, desfiles de moda e de local para feiras/ exposições. Escadarias conectam francamente o hall aos ambientes internos e foram pensadas com especial atenção aos fluxos e à acessibilidade de todos os usuários, também garantida por dois elevadores implantados no hall. A conexão visual é estabelecida por grandes aberturas e por um átrio oblíquo, que aproveita a incidência solar. De todos os ambientes é possível ver o exterior, mas para realçar a ligação com o espaço urbano foram definidos rasgos na fachada, permitindo ao usuário o desfrute do espaço externo, naquele momento, dos pontos referenciais do entorno.

003       Isométrica. Image Courtesy of Arqbox

ECO-EFICIÊNCIA

As soluções de conforto ambiental se originaram logo na concepção inicial do projeto, avaliadas por meio do software Ecotech. Foram previstos sistemas e dispositivos para o amplo aproveitamento da ventilação natural, para proteção da insolação excessiva e para o controle climático (de temperatura e umidade). No pavimento térreo, uma extensa área de sombreamento com circulação cruzada garante a climatização. A ventilação natural nos outros pavimentos é proporcionada pela fachada ventilada com microperfurações, tecnologia com ótimo custo-benefício. A fachada mencionada é composta por duas camadas: a interna de alumínio com esquadria máximo-ar e vidro incolor e a externa composta por uma membrana têxtil microperfurada, na cor branco gelo. Este “vestido branco” é o que cobre todo o edifício em todas suas faces, exceto as transversais. A proposta de construção com sistema moldado in loco é uma estratégia de eco-eficiência. Além disso, a implantação de sistemas de captação e reuso de águas pluviais, a racionalização dos sistemas de infraestrutura predial e a utilização de sistema de captação solar com placas fotovoltaicas contribuem positivamente para o processo de certificação, caso haja interesse do clube.

008      Edifício na primeira fase de construção e clube de piscinas. Image Courtesy of Arqbox

ESTRUTURA

Estrutura em concreto armado, com sistema em laje nervurada com viga faixa protendida nas três fases de projeto com altura de 50cm. Na primeira e terceira fase, a laje configurada apresenta viga nesta altura a fim de vencer os grandes vãos do projeto e seus respectivos balanços, garantindo rigidez a todo o pavimento. Sistema de laje este, que atende aos critérios normativos de tensões e deformações ao longo de toda sua área e nos diferentes pavimentos. Para a estabilidade global da edificação, o conjunto estrutural sugerido apresenta um núcleo rígido principal ao redor dos elevadores, garantindo um travamento estrutural junto a modulação adotada no alinhamento entre os pilares.

004       Estrutura geral - Modelo de cálculo. Image Courtesy of Arqbox

Na edificação da segunda fase, para vencer o vão transversal de 31 metros da quadra poliesportiva, as lajes são igualmente nervuradas com vigas protendidas, suficientes para suportar todo carregamento, tanto no nível da quadra como no nível da cobertura (para uma eventual ocupação de um espaço terraço-jardim). Todo o carregamento é transferido para os pilares externos, na fachada interna e externa das quadras, que compõem um conjunto de pórtico rígido em uma configuração geométrica/estrutural de Vierendeel, conferindo assim uma permeabilidade no nível térreo, tanto visual como de fluxo, com apenas seis pilares.

Courtesy of Arqbox

Veja o vídeo: http://vimeo.com/101626499

Fachada principal. Image Courtesy of Arqbox
Fachada principal. Image Courtesy of Arqbox
Setor de vestiários e apoio às piscinas. Image Courtesy of Arqbox
Setor de vestiários e apoio às piscinas. Image Courtesy of Arqbox
Vista para o bosque. Image Courtesy of Arqbox
Vista para o bosque. Image Courtesy of Arqbox
Circulação e átrio. Image Courtesy of Arqbox
Circulação e átrio. Image Courtesy of Arqbox
Café e vista para as piscinas. Image Courtesy of Arqbox
Café e vista para as piscinas. Image Courtesy of Arqbox
Edifício completo e clube de piscinas. Image Courtesy of Arqbox
Edifício completo e clube de piscinas. Image Courtesy of Arqbox
Acesso de pedestres. Image Courtesy of Arqbox
Acesso de pedestres. Image Courtesy of Arqbox
Arquibancada externa e campo de futebol. Image Courtesy of Arqbox
Arquibancada externa e campo de futebol. Image Courtesy of Arqbox
Edifício na primeira fase de construção e clube de piscinas. Image Courtesy of Arqbox
Edifício na primeira fase de construção e clube de piscinas. Image Courtesy of Arqbox
Arquibancada interna e lanchonete. Image Courtesy of Arqbox
Arquibancada interna e lanchonete. Image Courtesy of Arqbox
Implantação. Image Courtesy of Arqbox
Implantação. Image Courtesy of Arqbox
Primeiro subsolo. Image Courtesy of Arqbox
Primeiro subsolo. Image Courtesy of Arqbox
Planta do térreo. Image Courtesy of Arqbox
Planta do térreo. Image Courtesy of Arqbox
Segundo pavimento. Image Courtesy of Arqbox
Segundo pavimento. Image Courtesy of Arqbox
Terceiro pavimento. Image Courtesy of Arqbox
Terceiro pavimento. Image Courtesy of Arqbox
Quarto pavimento. Image Courtesy of Arqbox
Quarto pavimento. Image Courtesy of Arqbox
Quinto pavimento. Image Courtesy of Arqbox
Quinto pavimento. Image Courtesy of Arqbox
Sexto pavimento. Image Courtesy of Arqbox
Sexto pavimento. Image Courtesy of Arqbox
Cortes perspectivado. Image Courtesy of Arqbox
Cortes perspectivado. Image Courtesy of Arqbox
Isométrica. Image Courtesy of Arqbox
Isométrica. Image Courtesy of Arqbox
Etapas de construção. Image Courtesy of Arqbox
Etapas de construção. Image Courtesy of Arqbox
Estrutura: Lajes + pilares. Image Courtesy of Arqbox
Estrutura: Lajes + pilares. Image Courtesy of Arqbox
Estrutura geral - Modelo de cálculo. Image Courtesy of Arqbox
Estrutura geral - Modelo de cálculo. Image Courtesy of Arqbox
Croqui inicial de implantação. Image Courtesy of Arqbox
Croqui inicial de implantação. Image Courtesy of Arqbox
Croqui inicial de volumetria. Image Courtesy of Arqbox
Croqui inicial de volumetria. Image Courtesy of Arqbox
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Fonte:Romullo Baratto. "Primeiro lugar no concurso para Nova Sede do Clube Curitibano / Arqbox Arquitetura " 01 Sep 2014. ArchDaily. Accessed 1 Set 2014.  http://www.archdaily.com.br/br/626215/primeiro-lugar-no-concurso-para-nova-sede-do-clube-curitibano-arqbox-arquitetura?utm_source=ArchDaily+Brasil&utm_campaign=56ab297e8e-Archdaily-Brasil-Newsletter&utm_medium=email&utm_term=0_318e05562a-56ab297e8e-407774757

 
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