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josé marton lança livros com retrospectiva das suas quatro áreas de atuação: arquitetura, arte, cenografia e design

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maria silvia ferraz
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facetas, de josé marton | volume arquitetura

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O projeto de uma loja, a cenografia de um desfile de moda, um móvel de acrílico, o suporte para uma obra de arte de grandes dimensões. A princípio, não há conexões entre estas quatro coisas. A não ser o fato de que todas foram criadas por José Marton. O Marton Estúdio, atua em quatro áreas diferentes, mas complementares.

Uma publicação agora reúne seus diferentes trabalhos. Facetas, da editora C4, é composto de quatro livros. Arquitetura traz textos do administrador Carlos Magno Gibrail e projetos comerciais; Soluções para Arte é escrito pela curadora Rejane Cintrão e mostra a importância das estruturas criadas por Marton para exposições no Brasil; em Cenografia, Paulo Borges, criador do Calendário Oficial da Moda Brasileira, fala dos cenários de desfiles; em Design, o jornalista Allex Colontino revela as inovações tecnológicas e criativas do mobiliário desenhado por Marton.

facetas, de josé marton | volume design | linha anonimo

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Esta divisão por temas reflete o jeito de pensar de Marton. É assim que ele organiza seu estúdio, hoje focado na economia criativa - saiu da indústria que tinha com seu irmão Fernando, a Marton+Marton, há dois anos. Como nunca para, mal acabou de lançar o livro e já está pensando em seu próximo projeto: a criação de um instituto para sua coleção de arte. São 500 obras brasileiras contemporâneas, que ocupam o sexto andar de um prédio na Barra Funda. Agora, ele quer relacioná-las à arte internacional. “Temos o melhor do tudo. Meu interesse é fazer as conexões com a América Latina e o resto do mundo, através de curadores, artistas, com residências. Fazer com que a arte brasileira seja um ponto de interesse mundial, que mostre realmente a força que nós temos como artistas. O Brasil tem muita qualidade”, diz.

A arte é hoje um dos maiores prazeres de Marton. “Administrar uma coleção é incrível! O sexto andar é meu parque de diversões”, conta. O interesse surgiu quando ele ainda era criança. Aos 11 anos, leu um texto sobre mecenato na aula de história. Ali decidiu que seria artista. Dois anos mais tarde quis fazer um curso de desenho e pintura no Senac de Catanduva, sua cidade natal. O professor não deixou porque o menino era muito jovem. Aos 15, conseguiu ingressar e logo ganhou prêmios. O mestre, amigo de seu pai, o marceneiro Antonio Marton Sobrinho, tentava convencê-lo a deixar o filho a fazer faculdade de arte. Mas o pai queria que José se tornasse administrador e tocasse a fábrica da família.

facetas, de josé marton | volume cenografia

facetas, de josé marton | volume cenografia

Não podemos dizer que o desejo do pai não tenha se concretizado. Marton é um tambémm administrador, mas de seu próximo negócio. Ao se formar em Artes Plásticas pela Faculdade Santa Marcelina, ganhou a oportunidade de expor em um salão universitário em Paris. Preferiu receber o prêmio em dinheiro, abriu mão da viagem e começou seu negócio, fazendo telas para os colegas. “Não queria voltar para o interior. Tinha interesse de trabalhar com arte. A maneira que encontrei para ficar em São Paulo foi usar o conhecimento que eu tinha da indústria da madeira para criar soluções para arte”, relembra. Na Bienal de São Paulo de 1997, ficou diante de um quadro de Anselm Kiefer e decidiu que seria colecionador. Os amigos caçoaram: como você vai ter um Kiefer se anda de ônibus?”. Anos depois, fez a montagem de sua exposição no Brasil e conseguiu adquirir uma obra. Começava assim uma coleção puramente emocional. “Nunca tive a preocupação com o valor. Adquiro o que realmente me traz conteúdo, tem um sentido pessoal”, explica.

facetas, de josé marton | volume design

facetas, de josé marton | volume design

Das soluções para arte, se envolveu no mundo da moda. Foi chamado para fazer uma exposição de fotografia para a marca Forum e logo estava criando a cenografia dos desfiles. A arquitetura para lojas foi mais um desdobramento. Também é designer de mobiliário, algo que adora, mas não atua tão diretamente atualmente. “Foi uma ruptura me distanciar da indústria. O livro é um fruto desta nova fase”, diz. Perto dos 50 anos - e inquieto como durante toda a vida - ele agora se prepara para, talvez, afunilar sua atuação. Delegar mais. “Mas eu amo trabalhar!”, logo se contradiz. Esperamos que ele continue assim, criando e nos mostrando que é possível ser tudo em um.

facetas, de josé marton | volume soluções para arte

facetas, de josé marton | volume soluções para arte

martonestudio.com.br/

Fonte: http://www.bamboonet.com.br/posts/jose-marton-lanca-livros-com-retrospectiva-das-suas-quatro-areas-de-atuacao-arquitetura-arte-cenografia-e-design?utm_source=newsletter&utm_campaign=12de7ad8bc-newsletter_80_2_dezembro12_2_2014&utm_medium=email&utm_term=0_f1c911abd5-12de7ad8bc-102987541

Plano Mini Holanda: Como Londres pretende integrar a bicicleta na cidade

© tejvanphotos, via Flickr       © tejvanphotos, via Flickr

A Autoridade da Região da Grande Londres conta, desde o início deste ano, com o programa Mini Holanda, uma iniciativa que busca replicar a infraestrutura e cultura do ciclismo da Holanda nos municípios da periferia da capital inglesa. A ação conta com a implementação de novas ciclovias e tem como objetivo trazer mais pedestres e ciclistas para as ruas, melhorando, assim, a vida na cidade.

Segundo explicam, a decisão de iniciar este programa na periferia se deve ao fato de que mais da metade dos trajetos de bicicleta em Londres tem origem nessas regiões, o que é visto como uma grande oportunidade de adaptá-las ao ciclismo urbano.

Este programa é liderado pelo prefeito Boris Johnson e faz parte de um projeto de longo prazo, denominado “Visão para o Ciclismo”, que considera integrar a bicicleta como sistema de transporte oficial.

Veja, a seguir, o plano de Londres para integrar a bicicleta na cidade.

A visão do município de Londres sobre o ciclismo urbano

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© The Department for Culture, Media and Sport, via Flickr       © The Department for Culture, Media and Sport, via Flickr

O prefeito de Londres, Boris Johnson - membro do partido conservador – tem um jeito de fazer política que, segundo explica a coluna de Max Hastings, editor do jornal The Daily Telegraph, vem sendo bem recebida pelos habitantes, pois é mais próxima e, em certa medida, mais atualizada. Seu estilo alcançou maior visibilidade internacional durante os Jogos Olímpicos de 2012, evento que organizou e que lhe rendeu o título de político britânico mais respeitável.

Desde que assumiu seu segundo mandato em 2012, Johnson, que vai para o trabalho de bicicleta, tem liderado iniciativas que buscam melhorar a qualidade da vida urbana, como oMasterplan de Ciclovias de US$ 1,51 bilhões e a criação de Zonas de Baixa Emissão, um imposto que se somaria ao das Zonas de Congestão que regulamenta a tarifação viária.

Tomando estas iniciativas como referência, pode-se notar que o plano Visão para o Ciclismo impulsionado por Johnson reflete em sua maneira de fazer a cidade. Neste sentido, este plano tem como objetivo que a bicicleta seja incorporada à rede integral de transportes de Londres e que seja valorizada como um elemento cotidiano e confortável.

Isso será alcançado através de quatro objetivos. Primeiro, que a cidade possua ciclovias “ao estilo holandês”, isto é, separadas dos automóveis e confluindo com as vias de ônibus, metrô e trem, proporcionando rotas mais tranquilas para os ciclistas. Segundo,investir nos cruzamentos mais perigosos, tornando-osmais seguros e, com isso, fazendo que os ciclistas sintam que pertencem ao espaço público.

O terceiro objetivo deste plano é “normalizar” o ciclismo para que todos se sintam confortáveis ao se transportar de bicicleta, deste modo espera-se que até 2020 o número de ciclistas duplique.

A quarta e última meta consiste em oferecer lugares melhores para todos, o que, para o ciclismo, significa que através da construção de novas ciclovias podem ser criados corredores verdes que, por um lado, revitalizam certas vias subutilizadas e, por outro, oferecem aos cidadãos ruas mais verdes e seguras, sem a presença predominante dos automóveis.

Mini Holanda em três municípios

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© geezaweezer, via Flickr       © geezaweezer, via Flickr

Dentro do plano Visão para o Ciclismo encontra-se o programa Mini Holanda, que foi anunciado em março e começou a ser implementado nas primeiras semanas de outubro nos municípios de Einfield, Kingston e Waltham Forest.

A escolha destes municípios, entre os 32 que formam a Grande Londres, não foi ao acaso. Na realidade, cada um deles criou um concurso municipal para reunir as melhores estratégias para se converter em lugares mais agradáveis para os pedestres e ciclistas e, assim, obter um financiamento de 30 milhões de libras esterlinas, pouco mais de US$47 milhões.

Einfield apresentou a necessidade de redesenhar seu centro, construir vias para bicicletas que conectem os principais destinos - que até agora estão segregados - e três estacionamentos para bicicletas, além de rotas verdes.

Kingstom considerou criar um estacionamento para bicicletas na praça adjacente à estação de trens homônima e construir mais ciclovias que possam ser parte da Riverside Boardway do rio Tâmisa, um projeto que pretende criar uma tora para ciclistas na orla do rio.

Waltgam Forest propôs o desenvolvimento de uma ciclovia ao longo da Lea Bridge Road e a criação de Zonas 30.

As propostas e o interesse dos municípios em participar deste programa demonstra, segundo Chris Boardman, assessor de políticas de ciclismo, que “entendem o que é uma visão de uma verdadeira nação ciclista. Quase metade dos lares de Londres não possui um automóvel e cerca de um quarto das viagens realizadas até o centro da cidade agora são feitas de bicicleta, assim, parece lógico que a infraestrutura e os recursos para esse meio de transporte reflitam isso”.

“Estavam fazendo escândalo por quê?”

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© Waltham Forest Cycling Campaign, via Flickr    © Waltham Forest Cycling Campaign, via Flickr

Nestes três municípios o programa está em fase de testes, fechando temporariamente algumas vias de automóveis e abrindo-as para os ciclistas e ônibus. Alguns moradores reclamaram que não foram informados sobre o fechamento, outros alegam que se mover de taxi tem se mostrado mais difícil e outros são céticos e dizem que irão avaliar seus efeitos após um tempo.

Mas de acordo com um artigo do jornal The Guardian, quem se desloca com crianças diz que se sente mais seguro sem os automóveis ao redor e que, além disso, muitos cidadãos foram levados a refletir sobre as viagens que geralmente realizam de carro e que poderiam ser feitas de bicicleta.

Os comerciantes também afirmam que há mais pessoas caminhando, mais clientes nos estabelecimentos e que não tiveram problemas com as entregas dos produtos, como alguns disseram que teriam.

Diante das opiniões negativas sobre o plano, Paul Gasson, membro do grupo Campanha Ciclista em Waltham Forest, de um dos municípios escolhidos, assegurou que o Mini Holanda será bom para todos, pois irá reduzir o congestionamento e a poluição ambiental. Da mesma forma, referiu-se a este plano como quem o vê após alguns anos de sua implementação; ele acredita que no futuro dirão: “estavam fazendo escândalo por quê?”.

Via Plataforma Urbana. Tradução Arthur Stofella, ArchDaily Brasil.

 

Fonte:Constanza Martínez Gaete. "Plano Mini Holanda: Como Londres pretende integrar a bicicleta na cidade" 02 Dec 2014. ArchDaily Brasil. Acessado 2 Dez 2014. http://www.archdaily.com.br/br/758373/plano-mini-holanda-como-londres-pretende-integrar-a-bicicleta-na-cidade

Lançamento dos livros de Nelson Kon e Cristiano Mascaro no IAB/SP



Com o lançamento simultâneo de novos volumes de dois conceituados fotógrafos, respectivamente, Nelson Kon e Cristiano Mascaro, a “Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira”, criada em 2013 com o propósito de homenagear e reconhecer a fotografia nacional mostrando nossas riquezas culturais e naturais apresentará agora, o olhar destes dois nomes referenciais quando se fala em fotografia de arquitetura.
Sob a organização e textos de Eder Chiodetto, jornalista, pesquisador e curador na área da Fotografia, as imagens selecionadas surpreendem ao revelar as percepções singulares e as sutis atmosferas que envolvem a vida e obra dos dois autores: arquitetura e fotografia.
No volume (2), Nelson Kon, a forma que fazemos a ocupação do espaço é mostrada em fotografias que narram o meio urbano, ora ilustrando ou documentando, traduzindo suas grandezas e detalhes, ora revelando a poética silenciosa oculta em uma obra arquitetônica. O livro mostra a tênue linha que separa o conflito e a harmonia mesclada em imagens de seu trabalho feito quase todo sob a encomenda de clientes onde, uma almejada precisão técnica se alia a sua sensível e sofisticada capacidade de narrar paisagens.
O volume (3), Cristiano Mascaro, apresenta um acervo de retratos, quase todos inéditos, feitos com delicados estudos de luz e composição. Criados em uma atmosfera onde o tempo, subjetivamente alongado para este tipo de criação é um elemento marcante, pessoas, cidades e construções se entremeiam no livro em uma estrutura imagética que busca traduzir o esperado pelo autor: a simplicidade.
Os novos volumes da “Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira” relacionam o encontro da Fotografia com a Arquitetura possibilitando uma leitura em que os princípios formais das duas linguagens são mostrados em uma transcendência aos contextos tradicionais.
O evento de lançamento, que será realizado na sede paulista do IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil, será acompanhado de uma conversa sobre o processo de edição dos livros da coleção com a presença dos dois fotógrafos e do curador Eder Chiodetto.
Lançamento: “Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira”
  • Conversa: Processo de edição – “Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira”
  • Participação: Nelson Kon, Cristiano Mascaro e Eder Chiodetto
  • Inscrições ( 70 vagas ): colecaoipsis@ipsis.com.br
  • Data: 04 de dezembro, quinta-feira, das 19h às 22hrs.
  • Local: IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil – SP
  • Endereço: Rua Bento Freitas, 306, 1° Andar, São Paulo-SP

  Fonte:Romullo Baratto. "Lançamento dos livros de Nelson Kon e Cristiano Mascaro no IAB/SP" 01 Dec 2014.ArchDaily Brasil. Acessado 1 Dez 2014. http://www.archdaily.com.br/br/758247/lancamento-dos-livros-de-nelson-kon-e-cristiano-mascaro-no-iab-sp

Programa Calçada Cidadã – Canoas/RS

Contribuir para melhorar a paisagem urbana, a acessibilidade, e a socialização dos espaços públicos, é o objetivo do programa “CALÇADA CIDADÔ.

A conquista da acessibilidade para as pessoas com dificuldade de locomoção ou com deficiência, beneficia toda população. Compartilhar espaços públicos de qualidade e que permitem circulação segura e confortável é uma conquista de toda sociedade.

Baixe cartilha "Calçada Cidadã" sobre as regras para pavimentar sua calçada.

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Legislação Específica

NBR - 9050/2004

Lei 10.098 19/12/2000 – Decreto 5.296/2004

Estabelece normas gerais e critérios básicos para promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

Legislação Municipal

Lei 3.979/1995 - Código de Obras de Canoas.

Lei 5.348/2008 - Plano Diretor Urbano Ambiental (PDUA Canoas).

Decreto 145/2013 - Regulamenta os artigos AREs 172,173,174,175 e 176.

Lei 5.341/2008

Instruções para aprovação de projetos para calçadas no Município de Canoas

Todos os projetos para calçadas adjacentes às edificações deverão ser encaminhados à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação para análise e posterior aprovação. Os novos projetos e as reformas de calçadas deverão atender à Norma ABNT NBR 9050/2004 e as diretrizes estabelecidas pelo decreto 145/13 para calçadas do Município de Canoas.

Da Responsabilidade:

A responsabilidade de pavimentar as calçadas e mantê-las em bom estado, é do proprietário do imóvel.

Calçada Cidadã é Calçada Segura

--> Sem rampas (somente de acessibilidade);

--> Sem degraus;

--> Sem obstáculos;

--> Sem buracos;

Calçada Cidadã é Calçada acessível

--> Com piso antiderrapante

--> Com piso tátil

Informações necessárias Indicar:

a) O nível da calçada;

b) O nível da caixa de rolamento;

c) O nível do piso do lote;

d) O nível do acesso ao saguão do edificação;

e) Localização de rampas;

f) Indicação da implantação de piso tátil

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A largura das calçadas e a implantação das faixas: Faixa livre, faixa de serviços e faixa de acesso.

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Fonte: http://www.canoas.rs.gov.br/site/home/pagina/idDep/36/id/146

Benjamin Moser: "O Brasil está se canibalizando"

Biógrafo americano de Clarice Lispector lança ensaio sobre Brasília e critica Niemeyer

por Carlos André Moreira
29/11/2014 | 15h02

Benjamin Moser: "O Brasil está se canibalizando" Julio Cavalheiro/Agencia RBS
Para autor norte-americano, Brasília é símbolo de um país que tenta avançar apagando o passado Foto: Julio Cavalheiro / Agencia RBS

Benjamin Moser tornou-se best-seller nos Estados Unidos escrevendo sobre o Brasil – e, na sequência, fez sucesso também por aqui. Autor da biografiaClarice, sobre Clarice Lispector, publicada nos Estados Unidos com o título deWhy this World?, Moser está lançando agora um breve ensaio sobre o quanto o projeto monumental da construção de Brasília tem a dizer a respeito do pensamento nacional. Cemitério da Esperança, e-book editado pela Cesárea, é um texto no qual Moser analisa as grandes reformas urbanas brasileiras e encontra nelas um ponto em comum: a ideia de apagar os problemas do Brasil passando uma borracha no espaço público e recomeçando do zero seguindo modelos importados. Nenhum lugar, para Moser, representa tanto essa ideologia quanto Brasília, capital construída no meio do cerrado, joia da arquitetura modernista e que deveria representar o ingresso da nação em um futuro grandioso que o Brasil mereceria por seu infinito potencial. O resultado é uma arquitetura melancólica, feia e desumana, na visão do jornalista. Publicado em e-book e comercializado diretamente no site da editora (cesarea.com.br) por R$ 3, o livro de Moser é também uma ação militante. A renda do livro será revertida para o movimento Ocupe Estelita, que surgiu em oposição a um projeto imobiliário de luxo em Recife. Chamado de “Novo Recife”, o empreendimento pretende levantar 12 torres na região do cais, próximo ao centro histórico da capital pernambucana – o Ocupe Estelita luta por um projeto alternativo para a área que não descaracterize nem elitize o espaço.

Como surgiu seu interesse pela arquitetura brasileira e pela interpretação possível que ela oferece do Brasil?
Para quem sabe olhar uma cidade ou um prédio, é como um psicanalista escutar uma brincadeira ou um sonho. Revela tudo, e sobretudo revela coisas que a pessoa não pretende revelar. E como eu venho muito ao Brasil, há muitos anos, fiquei fascinado pelo que o país, nos seus prédios, fala e não fala. São extremamente eloquentes, como em todos os países.

Em sua opinião, quais as razões para a paixão brasileira pelo progresso desenvolvimentista, algo ainda presente em projetos como a transposição do Rio São Francisco ou as obras da Copa?
Colocaria a palavra “progresso” entre grandes aspas. Mas responderia em uma palavra: vergonha. Vergonha do país. Se você ler as justificativas históricas das remodelações das cidades brasileiras, começando pelo Rio de Janeiro de Pereira Passos e a criação da Avenida Central no início do século 20, você nota um desejo de recomeçar, de fazer com que o país seja diferente, e de desprezar o nacional, o local, o que já existe. Ontem o modelo foi Paris, hoje é Miami, amanhã seria, quem sabe, Dubai. E o que acontece, como se vê hoje, é que há um vínculo direto entre os gastos megalomaníacos em projetos “pra inglês ver” e o declínio econômico. Acho que os protestos dos últimos anos em torno da Copa, por exemplo, mostram que o cidadão entende isso muito bem.

Tirando exemplos pontuais, muito pouco da arquitetura brasileira da época da fundação de Brasília ainda está disponível. Em que essa recorrência da substituição do velho pelo novo é algo diferente, no Brasil, de outros países como os próprios Estados Unidos, por exemplo, também uma nação cativada pela ideia de inovação? A ideia de inovação é diferente. Diria que no Brasil é muito mais ideológico. No campo de urbanismo e arquitetura, há mais de um século, vemos uma ideologia extensamente articulada: mudaremos o país com a destruição de nossas cidades. Por isso começo com a remodelação do Rio de Janeiro nos primeiros anos do século 20. Era um movimento extremamente violento, e embora pareça brincadeira, não é: o “Morro da Favela” foi colonizado por pessoas pobres expulsas para criar o Theatro Municipal, uma coisa pretensiosa, tudo em ouro, no melhor estilo parisiense. Isso não é inovação, é perversão.
 
Você comenta, em Cemitério da Esperança, que Brasília é o ápice de um pensamento nacional de construir um futuro escondendo ou apagando os problemas do passado. É um de pensamento que ainda persiste na sociedade contemporânea que discute, com dificuldade, o período da ditadura militar, por exemplo?
Eu passei muitíssimo tempo no Brasil e creio que conheço o país bem. E como estrangeiro sinto-me obrigado a falar coisas que a maioria dos brasileiros não pode. Não porque não saibam ou não queiram. Mas entrei na briga com Caetano Veloso e cia. contra o projeto de censura às biografias (em 2013) justamente porque sei como é difícil para os jornalistas brasileiros, os escritores brasileiros. Como estrangeiro, posso falar, porque não dependo do Brasil, não vivo aqui. Mas quando fiz a biografia de Clarice Lispector, fiquei atônito pela quantidade de coisas que botei no meu livro que as pessoas acharam “corajosas.” Não eram. Como dizer que Mario de Andrade era homossexual. Mas tantas vezes me disseram: “Aqui não se pode falar isso. Se eu falasse isso ou aquilo perderia meu emprego no jornal, na faculdade.” Isso impera em muitas áreas. E o ruim do projeto de censura às biografias é que, como tantas coisas no Brasil, não é uma ameaça direta. Esse não é o estilo brasileiro. Mas é um aviso. Porque quem vai comprar briga com gente poderosa? Então há grandes, imperdoáveis silêncios no Brasil. A ditadura militar é um dos maiores.

Ainda a respeito disso: seu ensaio equipara a própria cidade de Brasília a um tipo de arquitetura monumental própria de regimes ditatoriais. É significativo disso que, logo após sua construção, Brasília foi apropriada pelo governo instalado depois do golpe de 1964?
Claro! Brasília quase não deu certo. Era enorme e caríssima. E há quem tenha dito – e é um assunto que nunca estudei profundamente – mas há quem tenha dito que o próprio golpe militar foi resultado de Brasília. Não foi o único motivo da crise econômica, mas era uma coisa que endividava o país bastante. E a crise econômica era uma grande justificativa para o golpe. Depois, naquele sonho de Ordem e Progresso, os militares sentiam-se perfeitamente à vontade.

A arquitetura brasileira, bem como muitos outros setores da sociedade nacional, sempre parece pensada para dar ou mostras de status ou para edificar uma ideia ideal de nação que dispensa o público, o povo, a escala humana. Que tipo de mudança deveria ocorrer para que o desenvolvimento voltasse a pensar nas pessoas mais do que em números? Escrevi em apoio ao Ocupe Estelita justamente porque não é um movimento revolucionário. É um movimento que diz, simplesmente, que as cidades devem pertencer ao cidadão e não a algum prefeito corrupto amigo de uma construtora que usa trabalho escravo. (Parece exagero: não é.) As pessoas no Brasil inteiro estão muito desmotivadas com o que vem acontecendo em todas as cidades do país, sem nenhuma exceção que conheça, nos últimos vinte anos. O país está cada dia mais feio e todo mundo o sabe. Mas não é verdade que nada se pode fazer. Como não é verdade que não há, no Brasil ou no mundo, pensadores e arquitetos que falam destes problemas, e oferecem soluções maravilhosas, há quase 50 anos. O povo precisa exigir governos que começam pelo que já temos, pelo que já aprendemos. E os intelectuais precisam educar as pessoas para que entendam que um shopping monstruoso não é uma inevitabilidade do destino. É uma escolha política que precisamos rejeitar.

O escritor Benjamin Moser
Foto: Jan Boeve, Divulgação


A renda obtida com a venda do ensaio será destinada ao movimento Ocupe Estelita, que luta contra a construção de torres de edifícios  no cais de Recife. Você vê seu texto sobre Brasília como um alerta para que não se repita o sistemático apagamento do passado em benefício de um futuro de progresso?
De novo, “um futuro de progresso” não é o que vejo num projeto tão monstruoso como o do Recife. Vejo uma coisa muito antiga, um desejo de apagar o país, de transformar o cidadão num humilde consumidor, de impor uma visão do futuro que não tem nada a ver com as coisas boas do Brasil. Não posso entender que uma pessoa que queira destruir o Recife, que é uma das pérolas do país, esteja agindo com amor ao Brasil. Pelo contrário.

Você também não poupa críticas a Oscar Niemeyer, a quem define no livro como um homem que “nunca conseguiu dizer não a um tirano”. Brasília é, para você, resultado dessa admiração de Niemeyer pela autoridade totalitária?
Claro. Eu falo isso, mas quem fala da admiração dele pelos tiranos é o próprio Niemeyer. No Brasil, ele passou a ser visto como uma espécie de vovó louco e racista mas querido, excêntrico. Mas só podemos achar fofo se não o levamos a sério. Mas o que o Niemeyer fala de Stálin, de Castro, e de tudo mais, é sério. E não podemos passar por alto do que ele diz, porque era uma pessoa extremamente poderosa e respeitada. É preciso dizer que esse respeito não era merecido de jeito nenhum.

O senhor é um visitante frequente do Brasil, e já esteve aqui em Porto Alegre. Além de Brasília, que está à parte do país, como o senhor menciona no ensaio, qual é o traço distintivo que o senhor enxerga nas capitais do Brasil? Enxergo um país enorme e diverso e belo, mas que está se canibalizando. Pelo trânsito monstruoso, pelos prédios horríveis: bom, isso aqui se chama Manaus, e isso é Recife, e isso é Curitiba, mas está cada vez mais parecido, cada vez mais sem caráter. Logo o Brasil ficar sem caráter é difícil. Mas está conseguindo.

Em muitas cidades brasileiras, há um movimento ainda tímido de tentar apropriar-se das cidades e propor alternativas ao automóvel como meio de transporte. A própria São Paulo, maior cidade do Brasil, tem ensaiado algo do gênero, mesmo com muitas críticas. É possível casar a necessidade de crescimento de um país tão desigual como o Brasil a modelos urbanos adotados por nações em diferentes etapas de desenvolvimento, como França, Holanda ou mesmo os Estados Unidos?
Claro. O importante é entender que na Europa e também nos Estados Unidos, essas cidades bonitas que temos são resultado de uma luta enorme como a do Ocupe Estelita. Aqui na Holanda (onde o autor reside), nos anos 1950, havia um movimento para esvaziar os canais de Amsterdã, cobri-los com cimento e transformá-los em autoestradas. Parece mentira, mas não é. Porque as autoridades queriam ser “modernas”. Graças a Deus não conseguiram, mas em muitos lugares conseguiram destruir cidades históricas. E agora temos modelos maravilhosos, como em Nova York, onde transformaram um lugar fedorento, de indústria, de matadouros, num dos bairros mais bonitos da cidade. É preciso ver como as cidades podem ser revitalizadas, e felizmente para o Brasil há muitos modelos no mundo inteiro que mostram que a feiura não é inevitável.

Fonte:http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/proa/noticia/2014/11/benjamin-moser-o-brasil-esta-se-canibalizando-4653001.html

Segundo lugar no concurso para o Museu da Diversidade Sexual na Avenida Paulista

Cortesia de AUM Arquitetos                                                                                                Cortesia de AUM Arquitetos
segundo lugar
Competição: Museu da Diversidade Sexual na Avenida Paulista
Premio: Segundo Lugar
Projeto:
Autores: AUM arquitetos - André Dias Dantas, Bruno Bonesso Vitorino, Renato Dalla Marta, Ana Claudia Schad, Maíra Baltrusch, Victor Vernaglia, Aline Pinheiro, Aline Ribeiro, Fabiana Kalaigian, Fernanda Miguel, Marcella Carone, Rafhael Rosa, Rebeca Swann, Giuliana Ricci, Ronielle Laurentino, Harmonia Acústica, AR Sistemas, Castilha Iluminação, MHC paisagismo
Apresentamos a seguir o projeto desenvolvido pelo escritório AUM Arquitetos e premiado com o segundo lugar no concurso para o Museu da Diversidade Sexual no casarão da Avenida Paulista, promovido pelo programa de incentivo à cultura do Governo do Estado de São Paulo (ProAC).
Veja, a seguir, algumas imagens e o memorial do projeto.

Cortesia de AUM ArquitetosCortesia de AUM ArquitetosCortesia de AUM ArquitetosCortesia de AUM Arquitetos

O casarão
Inaugurada em 1891, durante o período arquitetônico batizado como Ecletismo, a Avenida Paulista atraiu a elite paulistana da época. Grupo que, com seus arquitetos e engenheiros, construiu casas utilizando inúmeras combinações de ornamentos. “A Avenida Paulista acabou sendo o maior mostruário de arquitetura eclética historicista, de imigrantes desejosos de reproduzir aqui a arquitetura de seus distantes países. Ali, lado a lado, podíamos encontrar residências arabizantes, otomanas, românicas, góticas de várias nuances, etc”. (LEMOS, 1987, p.70).
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Cortesia de AUM Arquitetos                                                                Cortesia de AUM Arquitetos

Neste contexto foi construído o Casarão 1919, “talvez dos melhores exemplos de Arquitetura Eclética”. (CONDEPHAAT, 1982). Um dos poucos remanescentes desta época, pois São Paulo é uma cidade “capaz de criar uma Avenida Paulista, única por sua posição na cidade e insubstituível em sua elegância, para aos poucos destruí-la minuciosa e repassadamente. E sem remorso.” (TOLEDO, 2004, p.77).
Graças ao órgão de preservação estadual, que sabiamente tombou o casarão em 1992, o imóvel resistiu até hoje, como testemunho da história paulistana. Seguindo as orientações das Cartas de Restauro, com respeito àqueles que o construíram e o habitaram no passado, apreço pela sociedade contemporânea e consideração às gerações futuras propõe-se um projeto de intervenção, objetivando adaptá-lo ao novo uso, e restauração, com a finalidade de restabelecer um momento histórico e estético do edifício. Todos os procedimentos de restauro são descritos na proposta técnica. O diagnóstico preliminar não detectou grandes patologias, concluiu-se que o atual estado de conservação da residência é fruto do mau uso e falta de manutenção preventiva.
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Planta do térreo. Image Cortesia de AUM Arquitetos                                                       Planta do térreo. Image Cortesia de AUM Arquitetos

Entende-se o casarão como expressão da cultura material de um período específico da história da arquitetura, deste princípio, concluiu-se através de um juízo de valores que a importância estética não se revela na autonomia de suas partes, mas sim no conjunto de todas estas que formam a obra a ser restaurada. Portanto, o caminho vislumbrado para a restauração considera a reconstituição do todo baseado nas partes existentes.
O casarão restaurado revela-se novamente para a avenida e toma para si o papel de protagonista do projeto, sendo exibido em primeiro plano e atuando como porta de entrada para o complexo. Sua varanda elevada recebe os convivas que podem apreciar tanto a Paulista como o jardim antes de entrar na área de acolhimento que contem a bilheteria e o guarda volumes. Daí o usuário visita a área de exposição permanente, primeiramente o trecho dedicado ao casarão e seu contexto histórico, para depois seguir pela exposição relacionada ao tema da diversidade sexual. Neste trecho a proposta evita intervenções mais ousadas e se apoia nas aberturas já existente entre os cômodos para promover o percurso dos visitantes. Na porção posterior da edificação propõe-se a reconversão dos ambientes originais em sanitários para os usuários. E a adaptação para a inserção da conexão com o anexo do museu.
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Cortesia de AUM Arquitetos                                                          Cortesia de AUM Arquitetos

O acesso lateral da antiga residência foi reservado exclusivamente aos funcionários da instituição, os quais cruzam a varanda e se distribuem pela área de trabalho. Mantendo a ordem pré-estabelecida, as áreas de serviço ficam no pavimento inferior da construção. Para tanto a proposta considera o rebaixamento do piso existente a fim de garantir condições de uso desses espaços.
Evidentemente, tecnologias concernentes ao novo uso são incorporadas à edificação da maneira mais respeitosa possível. Os sistemas exigidos pelo programa museológico serão distribuídos ora pelo entre-forro, ora pelo porão, sendo revelados nos ambientes da maneira mais discreta possível.
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Inserção Urbana do Complexo
Os palacetes em São Paulo, por influência francesa, ocupavam grandes lotes, volumes afastados com recuos, soltos no jardim (SERAPIÃO, 2004). O da Família Franco de Mello não fugiu à regra e sua propriedade estendia-se da Avenida Paulista à Alameda Santos.
Com o passar dos anos o terreno não resistiu às pressões do mercado imobiliário e foi dividido. Felizmente, o proprietário desta área e os arquitetos envolvidos no projeto de ocupação do terreno foram generosos com a cidade e implantaram uma torre com o térreo aberto, acessível.
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Da mesma forma o museu ora projetado não se reclui e além de acesso livre pela Paulista deseja reconectar-se à Alameda Santos, através da supressão do muro que o segrega de sua antiga porção. Ademais, se propõe a eliminação completa das barreiras perimetrais de modo a conectar o conjunto também ao parque vizinho, proposta desta quadra aberta foi previamente vislumbrada pela Professora Miranda Magnoli. Essa postura já é adotada na região como, por exemplo, o ícone moderno Conjunto Nacional, ou como o conjunto Cetenco Plaza localizado defronte.
A livre circulação permite ao transeunte da região o desfrute da área arborizada e agradável. A finalidade da proposta é estimular a apropriação do espaço por parte do público local além daqueles que visitam o museu.
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O anexo
A edificação complementar do museu foi posicionada no fundo do lote, com um prisma de 8,5 metros por 30 metros com 36,5 metros de altura, determinado a não competir visualmente com o casarão tombado, ademais seu formato monolítico atesta a requerida discrição. Para a implantação do prédio no referido local faz-se necessário o transplante de três árvores de grande porte, condicionante viável com a utilização da grua necessária à construção do prédio.
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Corte longitudinal. Image Cortesia de AUM Arquitetos                                                       Corte longitudinal. Image Cortesia de AUM Arquitetos

O anexo acopla-se à edificação principal através de uma passarela envidraçada a partir do hall dos elevadores. O núcleo de circulação vertical permite que o público continue o percurso de visitação a partir da cota do piso superior do casarão. Através desse trajeto, as pessoas são levadas ao quarto pavimento batizado de praça elevada, pois é uma laje destinada a recepcionar os usuários. Deste pavimento é possível contemplar a copa das árvores existentes no entorno do prédio, antes de mergulhar no espaço expositivo fechado.
O acervo do museu é apreciado por um percurso descendente através da escadaria envidraçada, de maneira que o convidado sempre chega por um vértice do pavimento aprecia o conteúdo por um caminho que o direcionará para o próximo lance de degraus. O ritual é repetido sucessivamente do terceiro ao primeiro pavimento. Deste, o visitante desce mais um lance de escada e atinge o mezanino, o qual abriga a loja do complexo.
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No quinto pavimento o centro de documentação e biblioteca aguarda pelos pesquisadores. Neste mesmo andar posicionou-se a sala de treinamento. Acima de todos, a vista para a cidade é contemplada através das janelas do restaurante do museu.
O térreo é livre. Um vão de vinte metros separa os elementos estruturais deste pavimento. Sob a torre fica a cafeteria, que atende tanto aos usuários do museu quanto aos transeuntes da Paulista. O subsolo foi reservado ao ambiente de apresentações, o teatro multiuso, que tem capacidade para duzentas pessoas. Todas as áreas técnicas circundam o núcleo de circulação vertical do térreo para baixo.
Em alusão à singular cobertura da torre e aos rufos de cobre verde do casarão, o volume monolítico supracitado foi revestido com chapas do mesmo material. Sua cor também promove a mimetização visual de sua massa à vegetação existente. A porção inferior do prédio recebe a chapa natural, em oposição os três últimos pavimentos e o ático que são revestidos pelo mesmo material perfurado, característica que permite a entrada de certa quantidade de luz. A transição dos elementos é marcada por um trecho livre, que na vertical ilumina diretamente o hall dos elevadores e na horizontal destaca o pavimento praça.
Todo trecho cego da fachada é classificado como ventilado, pois o sistema de fixação das chapas de cobre permite a entrada de ar por pequenas frestas. Esta condição contribui para evitar o aquecimento dos ambientes internos, consequentemente reduzindo o consumo de energia do equipamento de condicionamento de ar. O efeito chaminé formado pela fachada ventilada é aproveitado para geração de energia elétrica através do sistema de “Wind-belt” que é capaz de transformar a energia do ar em movimento em eletricidade.
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Isométricas. Image Cortesia de AUM Arquitetos                                                           Isométricas. Image Cortesia de AUM Arquitetos

O sistema estrutural adotado é misto baseado no concreto armado e no aço. De um lado um grande pilar laminar de concreto, de outro, a vinte metros de distância, o rígido núcleo de elevadores, também de betão armado, são conectados por vigas metálicas do tipo vierendeel que suportam o sistema de lajes em “steeldeck”.
Os preceitos de sustentabilidade nortearam o projeto, buscando soluções que reduzem o esforço energético para construção, operação e manutenção do edifício.
Propomos um sistema de reuso de águas pluviais, para limpeza, descargas e irrigação das áreas externas, através da adoção de cisternas localizadas no subsolo.
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Diagrama de fluxos. Image Cortesia de AUM Arquitetos                                                                                     Diagrama de fluxos. Image Cortesia de AUM Arquitetos

O sistema de ar condicionado, além de possibilitar à menor interferência arquitetônica ao casarão, visa à economia de energia pela adoção da tecnologia Multi-Split VRF com fluxo de refrigeração variável. Esse sistema permite a locação das condensadoras em pontos determinados e a distribuição das evaporadoras segundo a necessidade do programa, permitindo o funcionamento modular e autônomo dos equipamentos, seja para economia de energia seja para manutenção.

CONDEPHAAT. “Estudo de tombamento do Edifício situado na Avenida Paulista", n° 1.919 – Capital”, 1982.
LEMOS, Carlos. “Considerações sobre o Ecletismo em São Paulo” In: FABRIS, Annateresa (org.). Ecletismo na Arquitetura Brasileira, São Paulo, Nobel e Edusp, 1987.
SERAPIÃO, Fernando. “Paralelos (e transversais) na história da casa paulista.” São Paulo, Revista Projeto Design, 2004.
TOLEDO, Benedito Lima de. “São Paulo: três cidades em um século” São Paulo, Cosac Naify, 2004.
Cortesia de AUM Arquitetos
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Planta do térreo. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Planta do térreo. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Plantas baixas. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Plantas baixas. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Plantas baixas. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Plantas baixas. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Planta de paisagismo. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Planta de paisagismo. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Corte longitudinal. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Corte longitudinal. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Corte transversal . Image Cortesia de AUM Arquitetos
Corte transversal . Image Cortesia de AUM Arquitetos
Isométricas. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Isométricas. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Esquema construtivo. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Esquema construtivo. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Diagrama de fluxos. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Diagrama de fluxos. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Diagrama de fluxos de pedestres. Image Cortesia de AUM Arquitetos
Diagrama de fluxos de pedestres. Image Cortesia de AUM Arquitetos
 
Fonte:Romullo Baratto. "Segundo lugar no concurso para o Museu da Diversidade Sexual na Avenida Paulista" 30 Nov 2014. ArchDaily Brasil. Acessado 1 Dez 2014.  http://www.archdaily.com.br/br/758167/segundo-lugar-no-concurso-para-o-museu-da-diversidade-sexual-na-avenida-paulista?utm_source=ArchDaily+Brasil&utm_campaign=40de293532-Archdaily-Brasil-Newsletter&utm_medium=email&utm_term=0_318e05562a-40de293532-407774757

“Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras” disponível para download

Cortesia de Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento                                                                                                                                                                                                                          Cortesia de Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

A Fundação João Pinheiro, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e oPrograma das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançaram esta semana oAtlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras. Parte da série Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, ele é composto por uma versão impressa e um site.
Essa base de dados na internet apresenta mais de 200 indicadores sobre renda, educação, demografia, trabalho, habitação e vulnerabilidade para Unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs) – conceito similar ao de “bairro” – de 16 Regiões Metropolitanas do Brasil.
Assim, é possível saber qual era a situação de cada uma das mais de 9 mil UDHs no ano 2000 e o que mudou até 2010. Por exemplo, a ferramenta permite observar e comparar indicadores relativos a áreas como Morumbi (São Paulo, SP), Belvedere (Belo Horizonte, MG), Asa Norte (Brasília, DF) e Gávea (Rio de Janeiro, RJ).
Produzida com base nos Censos Demográficos desses dois anos, a plataforma pode ser acessada aqui. A versão impressa do atlas, por sua vez, traz indicadores de renda, longevidade e educação das 16 Regiões Metropolitanas, além de mapas de todas elas.
O nível de detalhamento de dados oferecido pelo site proporciona a gestores públicos, acadêmicos e a toda a sociedade uma ferramenta essencial para análise de disparidades intermunicipais e inter-regionais.
As Regiões Metropolitanas analisadas são: Belém, Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Distrito Federal, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luis, São Paulo e Vitória.

Baixe aqui o Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras.
Via Ipea e PNUD
 
Fonte:Romullo Baratto. "“Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras” disponível para download" 30 Nov 2014. ArchDaily Brasil. Acessado 1 Dez 2014. http://www.archdaily.com.br/br/758165/atlas-do-desenvolvimento-humano-nas-regioes-metropolitanas-brasileiras-disponivel-para-download?utm_source=ArchDaily+Brasil&utm_campaign=40de293532-Archdaily-Brasil-Newsletter&utm_medium=email&utm_term=0_318e05562a-40de293532-407774757
 
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