O Estado brasileiro e a contratação de obras públicas

Jeferson Dantas Navolar*

Ao justificar os atrasos nas obras dos aeroportos brasileiros, o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, classificou como “ruins” os engenheiros brasileiros, incluindo na conta dos profissionais o ônus pela morosidade na execução dos atuais projetos de infraestrutura logística do país. Em seu infeliz pronunciamento, o ministro foi ainda mais longe e acrescentou que “os jovens [engenheiros] não saem bem formados da faculdade”.

À parte a infelicidade das declarações e a visão míope do ministro Moreira Franco, o episódio serviu para jogar luz sobre um antigo problema do Estado brasileiro: a contumaz prática da má contratação das obras públicas. Tanto na esfera federal como nas esferas estaduais e municipais, os administradores públicos, em sua quase totalidade, contratam obras sem a existência dos respectivos projetos executivos. Ressalve-se que esse procedimento dos nossos gestores encontra respaldo na atual legislação brasileira, leia-se Lei 8.666/93.

A Lei de Licitações permite a escolha das empresas contratadas pelo critério do menor preço, a partir apenas da existência dos “projetos básicos”. Trata-se, ao nosso ver, de um contrassenso, uma vez que, embora defina o que são “projeto básico” e “projeto executivo” no artigo 7.º, a mesma lei determina que “As obras e os serviços somente poderão ser licitados quando: I – houver projeto básico aprovado pela autoridade competente”. Ou seja, a falta dos projetos executivos completos não é impeditivo nas contratações de obras públicas. Abre-se margem para a ocorrência dos usuais aditivos contratuais, com possibilidade de majoração dos preços. O problema com esses procedimentos é que, mesmo permitidos por lei, em muitos casos eles acabam por gerar brechas legais que podem levar à prática de corrupção.

Entendemos que, ao manter as contratações apenas com exigência dos projetos básicos, o Estado só contribui para minimizar a atuação dos profissionais da arquitetura e engenharia e, em consequência, suas responsabilidades na condução das obras públicas.

Defendemos, e acreditamos ser também de interesse de outras organizações, bem como da sociedade como um todo, a adoção intransigente do processo de contratação de obras públicas obrigatoriamente após a elaboração e aprovação dos projetos executivos. Principalmente quando selecionados pelo critério de qualidade. Aliás, a defesa da contratação pelo critério de qualidade é outro ponto que carece de uma análise mais aprofundada. A mesma lei que é usada como justificativa para licitações do tipo “menor preço” indica, em seu artigo 46, que os tipos de licitação “melhor técnica” ou “técnica e preço” serão utilizados para serviços de natureza intelectual, como a “elaboração de estudos técnicos preliminares e projetos básicos e executivos”.

É preciso a conscientização do poder público brasileiro de que o projeto, entre eles o arquitetônico, é trabalho intelectual que não pode e não deve ser contratado apenas por preço, mas pelo critério de qualidade. A melhor forma de contratação de obras de interesse público é por meio da realização de concursos públicos de projetos de arquitetura. São eles que garantem qualidade e inovação aos projetos. Para efeitos de comparação, enquanto o Brasil, com toda a pujança de sua economia, muitas vezes superior a da Argentina, realiza cerca de uma dezena de concursos públicos de projetos ao ano, o país vizinho organizou 200 certames apenas em 2012.

Com certeza temos um caminho longo e árduo a transpor até conseguir mudar o processo de contratação das obras públicas em nosso país. Urge darmos os primeiros passos.

*Jeferson Dantas Navolar, arquiteto, é presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná.

Artigo publicado no Jornal Gazeta do Povo, em 23 de novembro de 2013.

Fonte: http://www.caubr.gov.br/?p=17347

Acústica das fachadas

Marcos-Holtz-Acustica-de-Fachadas

Acústica das fachadas

Outro palestrante do evento foi o arquiteto Marcos Holtz. Ele iniciou sua apresentação afirmando que as cidades têm que ser levadas em consideração no momento de se projetar um edifício.
“É preciso conhecer o tipo de som a ser isolado para bem especificar as soluções. Não adianta querer aumentar o tamanho do vidro sem melhorar o caixilho na mesma proporção”, alertou.
Dificuldade também apontada pelo profissional foram as grandes diferenças dos sistemas construtivos utilizados no Brasil, o que não acontece na Europa e Estados Unidos, por exemplo. Depois de apresentar modelos de fachadas pré-moldadas e industrializadas e considerar que eles oferecem um “isolamento acústico muito bom”, criticou a qualidade dos caixilhos disponíveis no mercado.
“Os vidros evoluíram; os caixilhos ainda precisam caminhar muito para aquilo que nós precisamos”, concluiu.
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Arquitetura como aparelho: Palestra com Brett Steele no Centro Cultural São Paulo

Courtesy of X Bienal de Arquitetura de São Paulo                                                     Courtesy of X Bienal de Arquitetura de São Paulo

Palestra com Brett Steele com foco em duas temáticas: a arquitetura experimental e conectada de hoje e a história das cidades em rede.

Um dos mais importantes críticos de arquitetura da atualidade, Brett Steele é diretor da AA School of Architecture de Londres, fundador e ex-diretor da AADRL Design Research Lab. É o criador da série de publicações ARCHITECTURE WORDS, publicando ensaios de figuras como Denise Scott Brown, Rem Koolhaas, Peter Eisenman, Max Bill, Kengo Kuma, Toyo Ito e outros. É o editor de Supercrítico: Peter Eisenman, Rem Koolhaas, lançado no Brasil pela Cosac Naify (2013).

Dia: 26/11/2013 às 19hs

Local: Espaço “Track Changes”, piso da biblioteca do Centro Cultural São Paulo (CCSP).

Fonte:Joanna Helm. "Arquitetura como aparelho: Palestra com Brett Steele no Centro Cultural São Paulo " 26 Nov 2013. ArchDaily. Accessed 26 Nov 2013. http://www.archdaily.com.br/br/01-155616/arquitetura-como-aparelho-palestra-com-brett-steele-no-centro-cultural-sao-paulo?utm_source=ArchDaily+Brasil&utm_campaign=63fc04731c-Archdaily-Brasil-Newsletter&utm_medium=email&utm_term=0_318e05562a-63fc04731c-407774757

Os retrógrados - sobre o fechamento do vão livre do Masp

Abilio Guerra

 


Está cada vez mais difícil suportar com alguma serenidade a onda reacionária que invadiu as redes sociais e a mídia das grandes corporações, em especial os jornais e revistas impressos. Na série de fatos lamentáveis que deixam qualquer cidadão democrata sobressaltado – os black blocks encapuzados que anarquizam manifestações com técnicas inventadas por militantes fascistas e nazistas dos anos 1920; defensores da meritocracia transvestidos em paladinos na luta contra as cotas e a bolsa-família; antigos ídolos da música popular que querem proibir biografias de pessoas públicas (1); etc. –, eis que o jornal O Estado de S.Paulo defende em editorial o fechamento do vão livre do Masp! (2)
Segundo o autor anônimo do texto, é necessário aceitar a “nova realidade da cidade”, “cercar o Museu” e “recorrer à força policial para colocar cada um no seu devido lugar”. O articulista é muito específico sobre aqueles que devem ser banidos da fresca sombra projetada pelo majestoso edifício concebido pela arquiteta Lina Bo Bardi: os dependentes e traficantes de droga, e os manifestantes de qualquer credo ou ideologia (mas eu arriscaria dizer que o editorialista consideraria tolerável uma festiva manifestação de dondocas e reis dos camarotes exigindo o gradeamento do vão do Masp...).
Contudo, quando olhamos para os grupos que maculam o ambiente requintado cobrado pelos cultíssimos frequentadores do Masp – segundo o articulista sem nome, obviamente –, nos deparamos com um universo heterogêneo: usuários de drogas, que constituem problema social de enorme gravidade a ser enfrentado com estratégias que passam ao largo da detenção policial; traficantes e vendedores de drogas, que precisam de grades, mas obviamente onde eles estejam dentro e não fora; e manifestantes, que em uma sociedade democrática tem na polícia a instituição afiançadora do seu direito à manifestação pública de suas demandas. Não preciso ser médico da USP ou sociólogo da PUC para saber que o isolamento do vão livre do Masp não vai resolver nenhum desses problemas reais ou imaginários.
Como se a instalação de gradil no vão do museu fosse um consenso da sociedade paulistana, o editorial do Estadão aponta o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como o único obstáculo a esta decisão tão óbvia para salvar a instituição da degradação moral. Para fortalecer o argumento, é convocado Teixeira Coelho, atual curador do Masp, que considera "um atraso essa posição do Iphan, pois a São Paulo de hoje não é a mesma da época em que o Masp foi inaugurado". Qual seria este “atraso”? Ora, é a insistência do Iphan em manter “o projeto arquitetônico original do museu, que prevê acesso irrestrito ao vão livre”. Tento deixar mais claro: o atraso do Iphan – cuja razão de ser é preservar o patrimônio cultural – está no fato inaceitável de insistir em preservar o projeto arquitetônico original, ou seja, o patrimônio cultural!
Mas vamos ao que importa: não há consenso sobre a necessidade de se fechar o vão livre para se preservar o Masp. Ao contrário, se há algum consenso dentre os verdadeiros amantes do museu – seja do seu edifício símbolo da cidade, seja do seu acervo – é acerca da diminuição constante de sua importância na cena cultural paulista, brasileira e sul-americana. E, para além dos consensos, temos uma questão objetiva, como nos lembra a arquiteta Mônica Junqueira de Camargo: o Masp é um “bem tombado pelas três instâncias do poder público Iphan, Condephaat e Conpresp” (3). Ou seja, as agências oficiais dedicadas à preservação do patrimônio histórico, em todas as instâncias – municipal, estadual e federal – entendem que estamos diante de um bem maior, que não pode ser descaracterizado. No mesmo texto – na ocasião a autora se digladiava com as mesmas forças obscurantistas, que tentavam impor na marra um edifício de 125 metros de altura ao lado do museu –, Mônica Junqueira aponta para os méritos maiores do projeto, que justificam e impõem sua proteção: “projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi em 1958 e inaugurado em 1968, é uma obra revolucionária enquanto forma arquitetônica; cálculo estrutural; proposta museológica e espaço público” (4). São estas características essenciais, razão do seu tombamento, que precisam ser escrutinadas.
Em belo artigo de 2007, Alex Miyoshi menciona o quanto a forma arquitetônica e a estrutura do Masp estão umbilicalmente ligadas e o quanto é simbiótica as atuações da arquiteta Lina Bo Bardi e do engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz na realização do projeto e na construção da obra (5). Depois de apurada pesquisa documental, Miyoshi nos apresenta o desenrolar das discussões e ações frente a problemas graves de infiltração de água na estrutura do edifício e que culminaram no revestimento vermelho-bombeiro dos dois pórticos estruturais, que contou com o apoio dos autores dos projetos de arquitetura e de estrutura, e do próprio curador do Museu, Pietro Maria Bardi. No que diz respeito à integridade da obra arquitetônica, podemos dizer que se obteve neste episódio uma vitória importante.
O mesmo não pode ser dito a respeito da proposta museológica, infelizmente. O arquiteto Renato Anelli já teve oportunidade em demonstrar o quanto o projeto expositivo proposto por Lina Bo Bardi para a pinacoteca do museu estava em sintonia com a própria arquitetura do edifício. Trata-se, segundo Anelli, de uma “concepção de dessacralização da obra de arte” (6) em sintonia com o projeto ideológico e cultural proposto pelo casal Bardi para a cidade de adoção e para o próprio país. Assim, tanto a caixa de concreto com faces transparentes apresentando o acervo para a cidade, como os suportes de vidro temperado colocando lado a lado, em convivência, quadros de escolas e autores distintos, fazem parte da mesma operação intelectual de criação de um novo espaço sócio-cultural:
“embalados no florescimento da cultura moderna brasileira, os Bardi pretendem que essa fosse uma oportunidade de apropriação daquele patrimônio, gerando uma cultura própria, com novas possibilidades de hierarquia de valores. O Masp se implanta, portanto, como um museu de caráter formativo, onde a explicação didática não significa uma doutrinação, mas sim uma formação de sujeitos capazes de elaborar um juízo de valor estético e cultural” (7).
Como frequentador assíduo do Masp que fui, me recordo muito bem do choque que sofri ao ver a magnífica pinacoteca banhada de luz convertida em cubo branco tão ao gosto da tradição museológica mais conservadora (que tem todo o direito de existir, mas não no Masp!). Recordo-me também dos responsáveis pela descaracterização: o arquiteto Júlio Neves e o professor de história da arte Luiz Marques, na ocasião presidente e curador do museu, respectivamente. Não me recordava da data, mas Renato Anelli me informa: foi em 1996, quando se iniciou uma longa obra de manutenção e ampliação da reserva técnica. Com motivos mais nobres, as persianas das fachadas passaram a ficar permanentemente fechadas, evitando-se assim a incidência excessiva de luz, que colava em risco as pinturas. Contudo, o desenvolvimento técnico formidável das películas protetoras de vidro tornaram este argumento obsoleto. Não há mais nenhum motivo técnico ou cultural que impeçam a reconversão do Masp às suas condições expositivas originais, que são sua própria razão de ser e um dos aspectos mais importantes para seu tombamento.
Chegamos então à última característica que, segundo Mônica Junqueira, justifica o tombamento do Masp: o espaço público onde estão fincados os quatro pilares bojudos de sua estrutura, justamente o espaço que o Estadão e o curador atual gostariam de ver fechado. O terreno onde está implantado hoje o museu abrigava originalmente o belvedere Trianon, ponto de encontro da elite que se mudou para o espigão da Avenida Paulista após sua fundação no início do século 20. Em 1951, o mirante projetado por Ramos de Azevedo foi demolido e no local foi instalado um pavilhão provisório, projetado pelo arquiteto Luís Saia, para abrigar a primeira edição da Bienal Internacional de Arte de São Paulo. Estas ocupações anteriores obedeceram à exigência de Joaquim Eugênio de Lima, urbanista e empreendedor responsável pela construção da avenida, ao doar o terreno à prefeitura: a vista para o centro da cidade não poderia ser obstaculizada ou impedida (8).
Lina Bo Bardi, ciente desta imposição, pensou inicialmente em uma pirâmide de vidro com parte grande do programa encravado no subsolo (similar à solução para o Louvre, desenvolvida por I. M. Pei muitos anos depois), para depois se fixar no edifício suspenso, derivado diretamente de sua proposta não construída para o Museu do Oceano (9). Na primeira hipótese, as pessoas precisariam contornar a edificação para chegar ao mirante; na segunda, que foi desenvolvida e construída, a relação com a vista para o centro se dá de forma direta, além de propiciar à cidade uma magnífica área sombreada que possibilitaria as mais variadas formas de ocupação, virtualidade que se materializou com a prática coletiva cotidiana ao longo dos anos: festas, shows, assembleias, pronunciamentos, feiras e um sem número de encontros coletivos que alimentam a vocação cidadã do espaço.
O edifício do Masp, uma instituição privada de interesse público, foi construído sobre um terreno público. Até onde eu sei, o terreno continua público até hoje. Sendo assim, a população de São Paulo, através dos poderes constituídos, autorizou o Masp usar um espaço urbano pertencente à cidade para construir seu edifício e tem autorizado, ao longo dos anos, que a instituição ali desenvolva suas atividades. Por má fé ou ignorância, o editorialista e curador escamoteiam a situação, dando a entender que o Masp tem feito uma gentileza para a cidade ao abrir seu terreno para uso coletivo. Ao invés de agradecer a cidade e a sociedade por esta concessão, a direção do Masp, na figura do seu curador, tenta denegrir a imagem de uma instituição séria como o Iphan e manifesta o desejo de fechar o vão livre do edifício, decisão à qual não tem direito moral ou legal (10).
As mazelas reais e imaginárias apontadas pelo Estadão e por Teixeira Coelho como motivos para o fechamento do espaço público são, na verdade, argumentos falaciosos sob os ângulos mais importantes da questão. Do ponto de vista cultural, a edificação está protegida por leis de tombamento em todos os três níveis governamentais existentes no país e é vital a manutenção de suas características fundamentais, que lhe dão substâncias cultural, artística e social. Do ponto de vista da sociedade, o direito coletivo ao espaço público se sobrepõe aos interesses específicos de curadores, donos de jornais e frequentadores chics do museu, que parecem não entender que a vitalidade de uma cidade está na sua capacidade em promover a convivência – se não harmoniosa, ao menos tolerante – entre cidadãos diferentes, tanto nos espaços públicos como nos espaços de acesso coletivo franqueado. O que está em jogo é uma cidade que possa ter suas ruas, calçadas, largos, parques, praças e mirantes ocupados indistintamente por crianças, pobres, homens, ciclistas, brancos, homossexuais, atletas, negros, prostitutas, idosos, índios, ricos, mulheres, deficientes físicos, mendigos, skatistas, dependentes químicos e até mesmo dondocas e reis do camarote.

Manifestação popular no vão livre do Masp, São Paulo
Foto Abilio Guerra 

notas
NA
Este artigo só foi escrito por insistência da minha filha Helena Guerra, a quem dedico esta minha pequena contribuição ao debate.
1
Tratei recentemente do tema das biografias: GUERRA, Abilio. Os babacas. A desconstrução dos ídolos da música popular brasileira. Drops, São Paulo, ano 14, n. 073.05, Vitruvius, out. 2013 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/14.073/4909>.
2
É preciso preservar o Masp. Editorial. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 20 nov. 2013 <http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-preciso-preservar-o-masp-,1098579,0.htm>.
3
CAMARGO, Mônica Junqueira de. A torre do Masp na Avenida Paulista. Minha Cidade, São Paulo, ano 06, n. 064.02, Vitruvius, nov. 2005 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/06.064/1961>.
4
Idem, ibidem.
5
MIYOSHI, Alex. O edifício do MASP como sujeito de estudo. Arquitextos, São Paulo, ano 07, n. 084.02, Vitruvius, maio 2007 .
6
ANELLI, Renato Luiz Sobral. O Museu de Arte de São Paulo: o museu transparente e a dessacralização da arte. Arquitextos, São Paulo, ano 10, n. 112.01, Vitruvius, set. 2009 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.112/22>.
7
Idem, ibidem. Neste mesmo artigo, Anelli demonstra o vínculo histórico dos suportes de vidro e concreto desenhados por Lina Bo Bardi com a tradição expositiva italiana, que remonta pelo menos aos anos 1930.
8
Cf. BARDI, Pietro Maria. Museu de Arte de São Paulo. Série Enciclopédia dos Museus, vol. XI. São Paulo, Cia. Melhoramentos, 1978.
9
Ver OLIVEIRA, Olivia de. Lina Bo Bardi. Sutis substâncias da arquitetura. São Paulo, Romano Guerra/Gustavo Gili, 2006.
10
Sobre a vocação pública do vão livre do Masp, ver: PERROTTA-BOSCH, Francesco. A arquitetura dos intervalos. Serrote, n.15, São Paulo, IMS, p. 6-23.

sobre o autor
Abilio Guerra é arquiteto, professor da graduação e pós-graduação da FAU Mackenzie e editor do portal Vitruvius e da Romano Guerra Editora.

É preciso preservar o Masp

O Estado de S.Paulo


Triste destino o do vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), instituição que tem um dos mais importantes acervos artísticos da América Latina. Primeiro, tornou-se um símbolo do desrespeito às regras que devem pautar as manifestações públicas. Qualquer grupo que deseja apresentar reivindicações ou protestar se julga no direito de ocupar esse espaço, para nele começar ou terminar manifestações, cujo palco é a Avenida Paulista. Como se isso não bastasse, ele agora virou - no intervalo entre uma manifestação e outra - lugar de reunião de dependentes de droga, com o sério risco de virar uma espécie de minicracolândia.
Já há algum tempo que os frequentadores do Masp e os milhares de pessoas que passam diariamente por ali podem observar o número crescente de dependentes e traficantes que se reúnem no vão livre e nas imediações. É lamentável, mas não surpreendente, portanto, o que aconteceu com a exposição do fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand, que se realizava no vão livre. Por causa do incômodo causado tanto a espectadores como a monitores por dependentes e moradores de rua, que já se julgam donos desse espaço, os organizadores da exposição e a direção do Masp tiveram de encerrá-la antes do previsto.
A exposição, montada originalmente em Paris, já foi levada a 110 países e, no Brasil, passou por três outras cidades - Rio, Brasília e Belo Horizonte, atraindo em todas elas grande número de visitantes - antes de chegar a São Paulo. Só aqui a falta de segurança levou a esse desfecho lamentável.
Quando, na quinta-feira da semana passada, já era evidente que a presença de dependentes e moradores de rua no vão do Masp ameaçava a mostra, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, em resposta a uma indagação a respeito feita pela reportagem do Estado, informou que a Inspetoria Regional da Avenida Paulista enviara uma viatura para o local e a Guarda Civil Metropolitana ia intensificar suas rondas. A Polícia Militar assegurou estar fazendo o mesmo, depois de alertada do problema pelo setor de segurança do Masp, já tendo prendido três pessoas por porte e uso de drogas nas imediações do museu.
Como nada disso alterou a situação que levou ao encerramento da exposição, só se pode concluir que as autoridades tanto municipais como estaduais não deram ao caso a atenção que ele merecia. As tímidas medidas tomadas ou prometidas parecem indicar que para o poder público não vale a pena um esforço maior para desalojar os dependentes, traficantes e moradores de rua que estão tomando conta do vão livre do Masp.
Uma forma de livrar o local tanto deles como dos manifestantes é cercar o Museu. Isso "não eliminaria o problema, mas amenizaria a situação", segundo o curador do Masp, Teixeira Coelho, mas todos os pedidos feitos nesse sentido pela instituição foram rejeitados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Para o Iphan, tem de ser mantido o projeto arquitetônico original do museu, que prevê acesso irrestrito ao vão livre. O curador considera "um atraso essa posição do Iphan, pois a São Paulo de hoje não é a mesma da época em que o Masp foi inaugurado".
Com uma cerca, se o Iphan se render à nova realidade da cidade, ou com uma ação enérgica da polícia, o que importa é que o vão livre do Masp não pode continuar como está. É inadmissível que uma instituição cultural dessa importância tenha a sua segurança e a de seus frequentadores - o Masp é um dos locais da cidade mais visitados por paulistanos e turistas - ameaçadas por viciados, traficantes e grupos de manifestantes que se julgam acima das leis e dos direitos dos demais cidadãos. O Masp não pode ser reduzido à vulgar condição de "casa da sogra", onde qualquer um faz o que bem entende.
Isto é algo simplesmente impensável em qualquer museu da Europa e dos Estados Unidos, onde o patrimônio cultural é preservado a todo custo. Esse é o bom exemplo que temos de seguir, sem medo de para isso ter de recorrer à força policial para colocar cada um no seu devido lugar.

Fonte :
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-preciso-preservar-o-masp-,1098579,0.htm

Anunciadas as quatro cidades finalistas do Sustainable Transport Award

Foram divulgadas as quatro cidades finalistas do Sustainable Transport Award (STA) deste ano, promovido pelo Institute for Transportation and Development Policy. As cidades que apresentaram grandes avanços na questão do transporte público sustentável são: Buenos Aires, na Argentina; Indore, na Índia; Lanzhou, na China; e Suwon, na Coréia do Sul.
O Prêmio é concedido anualmente desde 2005 às cidades que tenham implantado, no ano anterior, projetos inovadores que abordem a questão do transporte de modo sustentável. Além de melhorar a mobilidade para todos os cidadãos, os projetos devem reduzir a emissão de gases que provoquem o efeito estufa e melhorar a segurança e o acesso de ciclistas e pedestres ao espaço público.
Em 2013, Buenos Aires implantou dois novos corredores do Metrobus: o Metrobus Sur e 9 de Julio, que transformaram o centro da cidade em um ambiente agradável para o pedestre, encorajando as pessoas a caminhar e a pedalar mais. 
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Metrobus, em Buenos Aires. Image © André Jacobsen
Indore, na Índia, lançou o iBus, o segundo corredor BRT – Bus Rapid Transit no país, e continua lutando para afastar os carros das faixas exclusivas.
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© Vía Cities-today.com
A cidade chinesa de Lanzhou implementou o segundo BRT com de maior capacidade na Ásia, incluindo diversas reformas no trânsito como parte do projeto.
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BRT em Lanzhou, China. Image Courtesy of ITDP
Anfitriã do Ecomobiliy World Festival, a cidade de Suwon, na Coréia do Sul, está progredindo ininterruptamente, alargando calçadas, criando ciclovias e estações de aluguel de bicicletas.
As cidades finalistas do STA serão homenageadas em 14 de janeiro do ano que vem, durante o 93º Transportation Research Board’s (TRB) em Washington, DC. Interessados em participar podem registrar-se para o TRB aqui. As inscrições para a cerimônia de premiação serão abertas em breve.
Entre os vencedores de edições passadas do Transport Award estão: Cidade do México, México (2013); Medellin, Colômbia e São Francisco, Estados Unidos (2012); Guangzhou, China (2011); Ahmedabad, Índia (2010); Nova York, Estados Unidos (2009); Londres, Reino Unido (2008); Paris, França (2008); Guayaquil, Equador (2007); Seoul, Coreia do Sul (2006), e Bogotá, Colômbia (2005).

Referência: thecityfixbrasil
Fonte:Romullo Baratto. "Anunciadas as quatro cidades finalistas do Sustainable Transport Award" 23 Nov 2013. ArchDaily. Accessed 24 Nov 2013.  http://www.archdaily.com.br/br/01-154778/anunciadas-as-quatro-cidades-finalistas-do-sustainable-transport-award?utm_source=ArchDaily+Brasil&utm_campaign=86303913ae-Archdaily-Brasil-Newsletter&utm_medium=email&utm_term=0_318e05562a-86303913ae-407774757

Procel Edifica concede etiqueta para prédios eficientes

Prédios sustentáveis residenciais, comerciais e públicos eficientes podem ganhar etiqueta da Eletrobras Procel e Inmetro
 Ivana Varela, para o Procel Info

 O Programa Brasileiro de Etiquetagem de Edificações (PBE Edifica), coordenado pelo Inmetro em parceria com a Eletrobras Procel Edifica, está começando a movimentar o mercado imobiliário brasileiro. Com o objetivo de incentivar a conservação e o uso eficiente dos recursos naturais (água, luz, ventilação, etc) nas edificações, a Etiqueta PBE Edifica foi lançada em 2009 e pretende reduzir os desperdícios e os impactos sobre o meio ambiente.

Assim como os eletrodomésticos, a Etiqueta PBE Edifica também faz parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE). A certificação classifica o desempenho energético do edifício numa escala de A à E, além de sugerir medidas de melhorias.

O Objetivo do Programa é reduzir os desperdícios e os impactos sobre o meio ambiente, aproveitando ao máximo a capacidade de iluminação e ventilação natural das construções, e levando a um consumo menor de energia elétrica ao longo de toda sua vida útil. As mesmas garantias dos aparelhos de eletrodomésticos certificados, também existem para imóveis.

O gerente da Divisão de Projetos de Eficiência Energética no Setor Privado da Eletrobras, Marco Aurélio Moreira, explica que o pilar principal de uma construção sustentável é causar o menor impacto sobre o meio ambiente e a saúde de seus usuários. Existem alguns conceitos para a construção sustentável que podem ser resumidos da seguinte forma: planejamento sustentável da obra, aproveitamento passivo dos recursos naturais, eficiência energética, gestão e economia da água, gestão dos resíduos na edificação, qualidade do ar e do ambiente interior, conforto termo-acústico, uso racional de materiais e uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis. Desta forma, a Etiqueta PBE Edifica se insere não só na questão da eficiência energética, como também na economia da água e o conforto térmico, de acordo com os itens avaliados por ela em uma edificação.

“Estima-se que uma edificação projetada e construída segundo os preceitos da Etiquetagem PBE Edifica seja até 50% mais eficiente do que aquela que não incluiu critérios de eficiência energética em sua concepção. No caso de reformas, o percentual de economia é de cerca de 30%”, diz Marco Aurélio.

Ao todo o Programa já emitiu 83 ENCEs para edificações comerciais, de serviço e públicas, além de 2068 para edificações residenciais, incluindo casas, apartamentos, edifícios multifamiliares e áreas de uso comum. A última a ganhar a Etiqueta PBE Edifica foi o prédio do Centro Sebrae de Sustentabilidade. O edifício fica no Mato Grosso e foi o primeiro da região a ser certificado. O prédio foi construído pelo Sebrae para ser um laboratório vivo onde empresários podem vivenciar experiências de construção sustentável do ponto de vista ambiental, econômico e social. As obras começaram em 2008 e a inauguração ocorreu em outubro de 2010. Com nota 5,6 em uma pontuação máxima de 6, tanto o projeto quanto a construção do CSS foram enquadrados no nível A, o mais alto do PBE Edifica.
Quem projetou a edificação foi o professor do curso de arquitetura da Universidade Federal do Mato Grosso, José Afonso Portocarrero. Segundo ele, obter a Etiqueta PBE Edifica é muito importante, porque valoriza a arquitetura e a cultura indígenas. “A etiqueta tirou a prova dos nove e comprovou o que eu sempre tive certeza com relação à eficiência construtiva da arquitetura indígena”, disse o arquiteto.

A engenheira do Sebrae, Suenia Sousa, coordenadora do centro e quem gerenciou a obra, enfatiza que a certificação é uma ferramenta altamente eficiente “É fundamental para o CSS ter essa certificação, porque credencia o centro a falar de redução de energia, uma das prioridades do trabalho do Sebrae em sustentabilidade nos pequenos negócios”, conclui.

Por enquanto, mesmo nos órgãos públicos, a etiquetagem de edificações ainda tem caráter voluntário. Para torná-la compulsória, novos organismos de inspeção serão acreditados pelo Inmetro em 2014. Segundo Marco Aurélio, a pretensão é que a Etiqueta PBE Edifica se torne compulsória em um horizonte máximo de 30 anos para a maioria das edificações brasileiras. Para as edificações comerciais públicas, a compulsoriedade deve se dar até 2020. Já para as edificações comerciais de serviços, até 2025, e para as residenciais, até 2030. “Estamos caminhando para um horizonte onde a maior parte do mercado de edificações deverá ter a ENCE – Etiqueta Nacional de Conservação de Energia – como a maioria dos eletrodomésticos”, conclui Marco Aurélio.

Atlas Geográfico Brasileiro Milton Santos



O Atlas Geográfico Brasileiro Milton Santos, do IBGE, foi liberado para download (cumprindo a Lei de Acesso à Informação). São mais de 300 páginas com mapas e análises. Vale a leitura e fica como referência:

http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv47603.pdf


 
Mapas em melhor resolução estão disponíveis em ftp://geoftp.ibge.gov.br/a.../atlas_nacional_do_brasil_2010/
 
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