Novos aplicativos incentivam pessoas a se locomover sem carro

 

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)
(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)
Espera-se que cada vez mais pessoas desistam da ideia de adquirir carros ou, então, que os deixem em casa e optem por outras formas não motorizadas ou coletivas de transporte diário. Com as cidades ainda pensadas e construídas para melhor servir aos veículos automotores, quem escolhe o transporte ativo, coletivo ou até mesmo táxi ou Uber tem de programar hábitos e práticas seguras e rápidas. Para isso, a tecnologia já tem meios de ajudar.
Desenvolvido no Brasil, o aplicativo Sem Carro foi lançado recentemente para a cidade do Rio de Janeiro e também ganhou novas funcionalidades para quem circula em São Paulo, que já têm acesso ao recurso desde outubro. O app é direcionado exatamente para quem quer percorrer as cidades a pé, de bicicleta, de ônibus, metrô, trem, táxi ou Uber.
screen322x572Desenvolvido pela Santa Clara Ideias e pela produtora Mustaxe, o Sem Carro utiliza um sistema de geolocalização que identifica o local onde está o usuário. As rotas podem combinar mais de um tipo de transporte e é calculado o tempo e o custo para o deslocamento para que o usuário possa ver qual a melhor alternativa sob diversos aspectos. Além disso, o app oferece acesso direto ao 99Taxis e ao Uber, ambos podendo checar informações de tempo, caminho e custo. Ao ciclistas, o Sem Carro compartilha informações do Bike Sampa e do Bike Rio sobre estações mais próximas e quantas bikes estão disponíveis.
O aplicativo também tem uma área de conteúdo, com textos sobre mobilidade urbana e temas relacionados, além de dicas de segurança e de como facilitar o dia dia sem o uso do carro. O aplicativo está disponível para os sistemas iOs e Android. Segundo o idealizador do aplicativo, Leão Serva, o recurso deve chegar em Belo Horizonte e Salvador no próximo mês e em breve em outras capitais.
Assim como o Sem Carro, diversos aplicativos semelhantes são oferecidos no mundo inteiro. O Citymapper foi desenvolvido em Londres, mas já está presente em 32 cidades do mundo, inclusive São Paulo, com dados oferecidos pela SPTrans. Além de também combinar diversos meios de transporte, consegue fazer o cálculo de qual vagão do metrô será o melhor para o usuário entrar de acordo com a proximidade com a saída da estação. Mais do que isso, o Citymapper fornece previsão do tempo, e ainda conta quantas calorias o usuário irá queimar conforme cada escolha de meio de transporte.

UIA anuncia tema do Dia Mundial da Arquitetura de 2016

"Projete um mundo melhor" dialoga com valores a serem discutidos na HABITAT III

Luísa Cortés, do Portal PINIweb

Shutterstock
A União Internacional dos Arquitetos (UIA) anunciou no dia 30 de junho o tema do Dia Mundial da Arquitetura de 2016, comemorado em 3 de outubro: "Projete um mundo melhor". O objetivo é destacar o projeto como instrumento capaz de melhorar a qualidade de vida das sociedades e de combater mudanças climáticas.
Segundo a secretaria geral da UIA, o papel da arquitetura, do planejamento e do projeto tornam-se importantes à medida que a extensão dos desafios globais se amplia. "No dia 3 de outubro, membros da UIA e parceiros se mobilizarão para promover o poder da arquitetura para lidar com as mudanças climáticas. A entidade vai sublinhar ainda como os arquitetos projetam um mundo melhor na Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável (HABITAT III), que será realizada em outubro, e na reunião da COP 22 - Cúpula do Clima, novembro, em Marrakech", diz o comunicado da União.

O combate às mudanças climáticas e a melhora da qualidade de vida dialogam com os temas a serem abordados no 27º Congresso Mundial da Arquitetura - UIA 2020. O evento espera discutir assuntos como a ocupação do território e os impactos gerados no ambiente, a capacidade das cidades de sustentar economicamente a população e a coesão e governança das cidades metropolitanas. A expectativa é de que a reunião atraia cerca de 15 mil arquitetos de todo o mundo ao Rio de Janeiro.

Morar perto do trabalho para ter mais qualidade de vida, que tal?

Distância de casa ao trabalho pesa na satisfação profissional. Pesquisa mostra que 37% das pessoas alegam tempo do trajeto como motivo para deixar o último emprego

FonteJC NE  |  AutorYasmin Freitas  |  Postado em11 de julho de 2016

 
De bike ao trabalho, mais economia e qualidade de vida. Foto: Tiberio Barchielli Palazzo Chigi/Fotos Publicas

Pesquisa desenvolvida pelo Aplicativo Emprego Ligado, que oferece vagas de trabalho para profissionais com base em sua geolocalização, revela que a distância de casa para o trabalho é tão crucial para a satisfação profissional que 37% dos participantes do levantamento apontaram o tempo de trajeto como um dos motivos para terem deixado o último emprego. 

“O funcionário que mora perto do trabalho se atrasa menos e tem um índice menor de falta. Ele também chega menos cansado. A empresa tem ganhos de produção e diminui sua taxa de rotatividade”, revela o CEO da Emprego Ligado, Jacob Rosenbloom. Ainda na opinião do executivo, aproximar o ambiente corporativo da moradia é uma tendência mundial que está sendo trazida para o Brasil aos poucos, principalmente para vagas com necessidade de maior qualificação. 

Responsável pelo escritório de mobilidade de talentos Lee Hecht Harrison (LHH), Mariangela Schoenacker vai além. Ela explica que muitas empresas já apostam em unidades físicas de trabalho descentralizadas, dando ao profissional a oportunidade de escolher um escritório mais próximo de seu endereço ou trabalhar de casa.

“Vivemos numa sociedade em que o tempo é a maior moeda de troca. As empresas não precisam mais daquele modelo industrial – com todo mundo produzindo juntos no mesmo espaço – para funcionar”, assegura. “Empresas que apostam na construção de pequenos núcleos por região reduzem número de horas improdutivas e custo de transação por funcionários”, destaca a consultora. 

Por falar em custos, mais uma vantagem da proximidade do trabalho é a economia com transporte. O técnico em qualidade Vitor Lima, do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe), com sede em Dois Irmãos, mudou-se de Camaragibe para a Várzea para ficar mais perto do trabalho. Para economizar com passagens de ônibus, ele adquiriu uma bicicleta, utilizada cerca de duas vezes por semana. 

“Outro motivo foi o programa Pedala Servidor, que prometia um dia de folga para cada 15 dias indo trabalhar de bicicleta”, comenta. Apesar da promessa, o Lafepe ainda não aderiu ao programa. Mesmo assim, Vitor continua usando a magrela, de olho no bolso.

Modelo de urbanização das cidades precisa mudar

Redução de desigualdades sociais e planejamento de longo prazo são a chave para o desenvolvimento sadio das cidades, afirma líder empresarial citando relatório da ONU

FonteMobilize Brasil  |  AutorMarcos de Sousa/ Mobilize Brasil  |  Postado em16 de junho de 2016
Xian, na China: mudanças para reduzir emissões de
Xian, na China: mudanças para reduzir emissões de carbono
créditos: Reprodução Relatório ONU-Habitat

"O atual modelo de urbanização é insustentável e é necessário inovar os padrões de desenvolvimento com novas formas de colaboração, cooperação, planejamento, governança e financiamento”. A citação foi feita por José Carlos Bernasconi, presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), no painel Mobilidade, Acessibilidade e Desenvolvimento Urbano, realizado ontem (15) durante o evento Construction Summit 2016, em São Paulo.

Bernasconi referia-se ao relatório Cidades do Mundo (ONU-Habitat) divulgado em maio passado para defender uma alteração profunda nas formas de gestão das cidades, especialmente no Brasil, onde quase 85% da população vivem em áreas urbanizadas, o que significa 170 milhões de pessoas habitando uma área com 22 mil km2. "Tamanha concentração de pessoas impõe enormes desafios e é incrível que, apesar dos problemas, toda essa gente encontre formas de se alimentar, transportar, viver", avaliou o dirigente do Sinaenco. Para Bernasconi, é preciso planejar as mudanças a longo prazo e desenvolver projetos que ao mesmo tempo reduzam as desigualdades sociais, melhorem a mobilidade urbana e propiciem ganhos para o meio ambiente. 

Ele lembrou, ainda, as frequentes alterações de planos e projetos, que ocorrem a cada mudança de governantes, e defendeu a necessidade de que o planejamento seja - de fato - um instrumento de estado, não de governo: "O prefeito pode ser comparado a um piloto que assume a condução da cidade, mas que deve seguir um plano, dar sequência a uma proposta de gestão discutida com a sociedade", resumiu Bernasconi. 

O encontro contou com a participação de representantes de vários segmentos da sociedade civil, tal como o professor Miguel Bucalém, coordenador científico do USP Cidades, que fez a mediação dos debates, a arquiteta Silvana Cambiaghi, da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) de São Paulo; Gilberto Perre, secretário executivo da Frente Nacional de Prefeitos (FNP); e Guilhermo Petzhold, especialista em mobilidade urbana do WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

Prefeitura de Campinas produzirá tijolo a partir do resíduo de tratamento da água

Parceria envolve o SindusCon-SP e a MRV Engenharia. Blocos serão destinados às partes não estruturais da construção

Luísa Cortés, do Portal PINIweb
Divulgação: Prefeitura de Limeira
A Prefeitura Municipal de Campinas assinou na última quinta-feira (30), um acordo para o desenvolvimento do tijolo ecológico, material produzido a partir do lodo, um dos resíduos do tratamento de água. Esses blocos serão destinados às partes não estruturais da construção.

O trabalho deve ser realizado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP); Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa); MRV Engenharia, Instituto Adventista de Ensino (Unasp) e as secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo e a do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
A ideia do reaproveitamento residual do tratamento de água surgiu há mais de um ano, segundo o diretor da Regional de Campinas do SindusCon-SP, Márcio Benvenutti. A regional será responsável pelo treinamento de profissionais para a fabricação do material. "Ainda vamos estudar como isso será feito. Agora vamos para a fase tecnológica. Depois haverá o treinamento do setor produtivo. A ideia é fazer cooperativas de trabalho para também oferecer empregos formais para a população", disse Benvenutti.
O desenvolvimento tecnológico do material será realizado nos laboratórios da Unasp, para que o controle biológico do lodo chegue o padrão ideal de resistência. O processo também deve contribuir para a redução da extração de argila, utilizada na fabricação de tijolos.
Atualmente, o resíduo de água retirado pela Sanasa é depositado no Aterro Sanitário. Agora, serão feitas pesquisas pela Unasp para definir a proporção adequada de lodo e outras substâncias que farão parte do tijolo ecológico.

Nossa Cidade: seis princípios para tornar as cidades mais seguras a partir do desenho urbano

 

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O projeto Nossa Cidade, do TheCityFix Brasil, explora questões importantes para a construção de cidades sustentáveis.
A cada mês um tema diferente.
Com a colaboração e a expertise dos especialistas do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, os posts trazem artigos especiais sobre planejamento urbano, mobilidade sustentável, resiliência, segurança viária, entre outros. A cada mês, uma nova temática explora por ângulos diferentes o desenvolvimento sustentável de nossas cidades.

Seis princípios para tornar as cidades mais seguras a partir do desenho urbano

É assustador o fato de que 1,25 milhão de pessoas morrem a cada ano em acidentes de trânsito. Diversos fatores contribuem para esse alto índice, porém a maneira com que as cidades vêm sendo construídas é a principal responsável por esse cenário. Mas, e se um guia prático pudesse ajudar as cidades a salvarem mais de 100 pessoas por dia? O Nossa Cidade deste mês tratará do tema Segurança Viária e começaremos trazendo soluções ao apresentar a publicação O Desenho de Cidades Seguras.
O guia, elaborado pelo WRI Ross Center for Sustainable Cities, fornece aos gestores e projetistas um compilado de orientações e exemplos para reduzir mortes de trânsito que poderiam ser evitadas por meio de pequenas mudanças no desenho das vias. O Brasil é, atualmente, o quarto país que mais mata no trânsito. Essas fatalidades custam cerca de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Outras economias emergentes como México, Indonésia, Turquia e China também têm grandes prejuízos econômicos com as mortes no trânsito. São também nos países de baixa e média renda em que 90% das fatalidades em acidentes ocorrem.
O número opressor de veículos nas ruas e também as falhas de planejamento das cidades acabam por colocar tantas vidas em risco, em especial a dos usuários mais vulneráveis do sistema viário: pedestres, ciclistas e motociclistas. O foco de O Desenho de Cidades Seguras recai sobre os diversos usos que as cidades podem fazer do redesenho das vias, para que elas também sirvam especialmente ao transporte coletivo e sustentável.
Remodelar vias urbanas não é uma tarefa fácil, mas pode ocorrer em qualquer local do mundo. “As diretrizes apresentadas no guia podem ser implementadas em qualquer cidade, seja ela grande ou pequena. A maior parte das medidas pode ser praticada com baixo custo, não necessariamente são empreendimentos caros. Além disso, todas elas têm a eficácia comprovada para a redução de acidentes e mortes no trânsito”, afirma a Coordenadora de Segurança Viária do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, Marta Obelheiro.
A partir de seis princípios e 34 elementos de design que são amplamente apresentados nos capítulos, o guia se comunica diretamente com os gestores públicos, projetistas, engenheiros, urbanistas, empreiteiros privados e públicos, especialistas em saúde pública e responsáveis pela criação de planos de mobilidade. Então, veja como construir uma cidade mais segura a partir desses princípios:
– Crie uma cidade propícia para os pedestres, não para os carros
Tomar essa decisão é o que determinará a segurança da cidade. O desenho urbano seguro ajuda a reduzir a velocidade dos veículos motorizados e dá maior protagonismo aos pedestres e ciclistas. São cinco elementos-chave sugeridos pelo guia que, quando considerados em conjunto, podem salvar milhares de vidas nas cidades: tamanho de quadra, conectividade viária, largura das vias, acesso aos destinos e densidade populacional.
tamanho de quadra irá determinar a que velocidade os carros trafegarão – quanto mais longas as quadras, maiores as velocidades. Quadras mais curtas favorecem a acessibilidade dos pedestres, já que têm um número maior de interseções e mais pontos em que os carros devem parar. Blocos menores em bairros compactos reduzem as distâncias de viagens diárias fornecendo diversas possibilidades de rotas em todas as direções, o que leva à conectividade e ao acesso facilitado aos destinos.
– Modere o tráfego
Intervenções no desenho viário são capazes de forçar os carros a reduzirem as velocidades de forma natural. Elas são especialmente importantes em regiões de intenso fluxo de pedestres, como perto de escolas, comércio, parques, centros comunitários, entre outros, e podem ainda transformar o visual das ruas. As medidas de moderação de trânsito apresentadas no guia são: lombadas, almofadas atenuadoras de velocidade, chicanas, afunilamentos, extensões de meio-fio, travessias de pedestre elevadas, minirrotatórias e rotatórias.
chicana – termo talvez inédito para muitos – nada mais é do que um desvio artificial que leva a uma redução na largura da via. As chicanas podem ser úteis em vias retas localizadas em longas quadras para evitar que veículos possam tomar maiores velocidades, já que os impedem fisicamente disso. Pontos de ônibus ou até locais de estacionamento de bicicletas podem ser usados nas chicanas para melhor aproveitamento dos espaços.

Restauração da camada de ozônio evidencia importância de acordos ambientais

 

Camada de ozônio da Antártida está 4 quilômetros quadrados menor do que seu pico de tamanho. (Foto: Eugene Kaspersky/Flickr-CC)
Buraco da camada de ozônio da Antártida está 4 quilômetros quadrados menor do que seu pico de tamanho. (Foto: Eugene Kaspersky/Flickr-CC)
Aos céticos em relação aos acordos e tratados ambientais, uma recente notícia traz uma prova de que unir esforços gera resultados. Quase três décadas atrás, centenas de países assinaram oProtocolo de Montreal, tratado que visa a redução do comércio e a produção de substâncias que destroem a camada de ozônio (SDOs). Hoje, o buraco dessa camada de proteção natural do planeta está em processo de cura.
Um estudo publicado pela revista Science afirma que o buraco da camada de ozônio na Antártida está diminuindo. Essa abertura é formada a cada ano a partir de setembro até o começo de dezembro. De acordo com uma pesquisa realizada pelos Estados Unidos e o Reino Unido, o buraco já teria diminuído mais de 4 milhões de quilômetros quadrados – ou cerca de metade da área contígua dos Estados Unidos – desde seu pico, em 2000.
“O paciente está realmente começando a melhorar”, disse a autora principal do estudo, Susan Solomon, do MIT. “Ele ficou muito doente nos anos 1980, quando estávamos bombeando todo aquele cloro para a atmosfera”. Na década de 1970, cientistas sugeriram que a camada de ozônio da Terra, que fica a cerca de 10 a 50 quilômetros da superfície e nos protege contra a radiação ultravioleta (UVs), estava diminuindo devido a alguns compostos fabricados pelo homem, como o Halon, o Clorofluorcarbono (CFC), o Hidrofluorcabono (HCFC), o Tetracloreto de Carbono (CTC), e o Brometo de Metila. Essa descoberta fez com que nações somassem esforços para deter o fenômeno. O Protocolo de Montreal foi assinado em 16 de setembro de 1987, mas entrou em vigor somente no dia 1º de janeiro de 1989.
Atualmente, 191 países participam do Protocolo de Montreal, que é considerado o tratado ambiental de maior sucesso de todos os tempos. É creditado a ele a queda de 97% no uso de gases nocivos ao planeta entre os anos de 1980 e 2000. “Agora, podemos ficar confiantes de que as medidas que tomamos colocaram o planeta em um caminho para a cura”, disse Susan.
Não há dúvidas que as palavras da cientista dão sentido aos novos acordos climáticos que vêm sendo assinados nos últimos anos, em especial o Acordo de Paris, um dos principais êxitos alcançados por líderes globais no combate ao aquecimento global e que deve entrar em vigor até 2020.

“Nos dá esperança de que não devemos ter medo de enfrentar grandes problemas ambientais”, diz Susan Solomon


O vilarejo que produz tudo de que precisa

Comunidade autossuficiente na Holanda deve produzir comida e energia necessária aos moradores, além de reaproveitar lixo gerado no local. Idealizadores esperam que projeto sirva de modelo para países em desenvolvimento.
Projeto Regen Village, nos arredores de Amsterdã
Projeto do Regen Village, nos arredores de Amsterdã
A primeira coisa que vai chamar a atenção quando alguém se aproximar do novo vilarejo nos arredores de Amsterdã é o vidro. Haverá muito dele, por todo lado. Ele estará ao redor de todas as casas, como uma cápsula protetora que fornece calor e abrigo. As unidades de produção de comida também terão uma cobertura de vidro, mas chamá-las de estufa seria pouco. Tudo isso porque o Regen Village pretende fazer o melhor uso possível de todos os recursos e ser totalmente autossuficiente, servindo de modelo para cidades do futuro.
A autonomia vai muito além de apenas gerar energia elétrica e calor, o que já tem sido alcançado com sucesso em vilarejos semelhantes. A pequena comunidade também vai alimentar a si mesma, cultivando toda a comida de que necessita dentro dos limites das paredes de vidro.
"Hoje gastamos 40% da superfície dos nossos continentes para a produção de comida", afirma Sinus Lynge, cofundador do escritório dinamarquês de arquitetura Effekt, que projetou o vilarejo. "A produção de comida é o maior emissor isolado de gases do efeito estufa, o maior causador de desmatamento e é responsável por 70% do consumo global de água doce. Transportamos nossa comida de um canto a outro do planeta para desperdiçar 30% da produção total antes de consumi-la", diz.
Projeto Regen Village, na Holanda
Comida plantada junto à sala de jantar
Integração inteligente
A construção do bairro Regen Village na Holanda deve começar entre junho e agosto deste ano e ser concluída em 2017. A ideia veio do empreendedor e construtor norte-americano James Ehrlich, que fundou a empresa Regen Villages para construir o novo vilarejo na Holanda e, talvez, outros como ele no futuro.
Foi Ehrlich quem contratou o Effekt para projetar o assentamento. "A Regen Villages está projetando e facilitando o desenvolvimento de vizinhanças off-grid, integradas e resilientes, que fornecem energia e alimentos para famílias mundo afora", disse o empresário. Off-grid são sistemas autossuficientes, que não dependem de infraestrutura remota para se manter, como rede elétrica.

 
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