Poesia e Arquitetura: Igual-Desigual / Carlos Drummond de Andrade

flickr_eliel_freitas_jr-530x354

© flickr Eliel Freitas Jr

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.

Referência: DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. “Igual-Desigual”, em A Paixão Medida, 1980.

Fonte: Fracalossi , Igor . "Poesia e Arquitetura: Igual-Desigual / Carlos Drummond de Andrade" 31 Oct 2012. ArchDaily. Accessed 01 Nov 2012. http://www.archdaily.com.br/77843/poesia-e-arquitetura-igual-desigual-carlos-drummond-de-andrade/

0 comentários:

 
IAB Tocantins Copyright © 2009 Blogger Template Designed by Bie Blogger Template
Edited by Allan