Como especificar: sistemas para projetos de interiores corporativos

Por Lucas Rodrigues

Edição 222 - Setembro/2012

Luiz Fernando Macian

Especialistas indicam que os espaços corporativos contemporâneos devem seguir o modelo openspace coerente com a hierarquia horizontalizada que impera nas organizações. Mas advertem: é preciso analisar as reais necessidades do cliente, sem aderir a modismos, e saber especificar entre uma gama de produtos e sistemas como divisórias, pisos elevados, forros, arquivos deslizantes e mobiliário

O ambiente corporativo deve ser versátil para atender às constantes mudanças empresariais. Não só isso. Deve também garantir o conforto e o bem-estar dos funcionários, com mobiliário ergonômico e espaços bem iluminados, com bom desempenho acústico, para exercer bem as suas funções. Outro papel do projeto de interiores corporativos é atender às necessidades específicas de cada cliente com um projeto que reflita as filosofias e os modelos organizacionais de uma empresa.

"Existem tecnologias, recursos, layouts e conceitos capazes de proporcionar uma ocupação mais agradável, flexível, ergonômica e até descontraída", explica Heloisa Dabus, da Dabus Arquitetura. Para a arquiteta, é grande a procura por espaços que promovam a integração, pois os modelos de organização do espaço corporativo seguem a tendência dos chamados openspaces, que proporcionam liberdade e compartilhamento a partir de elementos como mobiliários que favorecem um layout panorâmico e aberto, por exemplo. A arquiteta acrescenta que áreas de convivência, salas de reunião informal, de brainstorm e de descompressão são itens cada vez mais presentes nos programas das empresas.

O conceito de openspace, no entanto, não se adapta a todas as empresas e situações. Principalmente àquelas que pedem mais isolamento e privacidade. Arquiteto do escritório PA3 Arquitetura, Maurício Patrinicola cita como exemplo os escritórios de advocacia que, pela necessidade de concentração dos funcionários, demandam o planejamento de salas individuais ou em dupla. Mesmo em espaços abertos, biombos e divisórias podem ser usados como recursos para demarcar hierarquias e aumentar o nível de isolamento. Ou seja, um bom projeto parte da análise correta das funções e do perfil da empresa. "Isso deve ser premissa do projeto", afirma Maurício.

Heloisa concorda e reforça que, além de práticas, as soluções para o espaço de trabalho devem atender às necessidades com coerência aos conceitos da empresa e à identidade da marca. A arquiteta também alerta para a importância do profissional saber diferenciar tendência de modismo. "O essencial, que é apontado pelas tendências, está profundamente ligado à questão da funcionalidade e da aplicabilidade", diz.

A possibilidade de acesso remoto influencia ainda no tamanho dos ambientes, que já não precisam abrigar grande número de pessoas. Fernando Ferreira de França, da F3 Construções, acredita que a automação passará a ser cada vez mais incorporada nos escritórios, assim como tecnologias e salas especiais para telepresença e videoconferência, que exigem recursos para isolamento acústico e de reprodução audiovisual.

Arquivos deslizantes

Luiz Fernando Macian

O espaço corporativo projetado pelo escritório de arquitetura Andrade Azevedo incorpora o arquivo deslizante mecânico Linha 1000, da Aceco, como estratégia para racionalizar o armazenamento de documentos

Ao racionalizar o armazenamento de documentos em espaços corporativos, os arquivos deslizantes propiciam economia de espaço de até 70%. Feitos de aço, com acionamento mecânico ou eletrônico, podem vir com acabamentos adesivados, revestidos de vidro ou de tecido. A indústria também oferece acessórios como luminárias internas, prateleiras e pastas suspensas.

Em função do custo inferior, os arquivos com acionamento mecânico continuam sendo os mais usados nos espaços de trabalho. "Na maioria dos casos não vale a pena colocar o eletroeletrônico", explica o arquiteto José Carlos Bechmann, do escritório Bechmann Arquitetura. "Mas existem arquivos eletrônicos que facilitam a movimentação e alguns já vêm com softwares de localização do material armazenado", acrescenta.

Para José Carlos, a aplicação de revestimentos em arquivos, como vidros ou adesivos, ajuda a adequá-los às necessidades estéticas dos ambientes, principalmente daqueles que requerem mobiliário e equipamentos visualmente mais leves. "Já projetei um na recepção de um escritório de advocacia com revestimento de vidro leitoso branco", conta. Para o arquiteto, apesar dos arquivos deslizantes cumprirem um papel importante na otimização do espaço, seu futuro é incerto pelo aumento da digitalização e diminuição de papéis. O que começa a crescer, no entanto, são os projetos para armazenamento de produtos em área de estoques de lojas, hospitais e logísticas.

"Existem arquivos eletrônicos que já vêm com softwares de localização do material armazenado"
José Carlos Bechmann,
arquiteto

Forros

Marcelo Scandaroli

No projeto da agência Espalhe, os arquitetos do escritório FGMF aproveitaram a modularidade do forro de fibra mineral para criar uma superfície colorida e irreverente

A especificação dos forros para ambientes corporativos não deve se pautar apenas em critérios estéticos, mas na funcionalidade do produto, que precisa ser removível para facilitar o acesso às instalações técnicas e a manutenção. Importante também é o bom desempenho acústico.

Os forros são normalmente encontrados em placas com 62,5 cm x 62,5 cm e 1,25 cm x 62,5 cm. "Alguns fabricantes trazem novidades com novas modulações e com junta seca, que dá a impressão de o forro ser único", conta a arquiteta Heloisa Dabus. Um recurso adotado para que as placas dos forros tegulares (aqueles em que as placas estão apoiadas em perfis "T") não sejam recortadas, segundo Heloisa, é o cuidado com o projeto de paginação, que pode prever a instalação de faixas de gesso nas bordas. Outro cuidado é em relação ao modelo de luminária, que deve seguir a modulação do forro para apoiar-se nos perfis e evitar o recorte das placas.

O escritório de arquitetura FGMF tirou partido da modularidade do forro para conferir uma atmosfera descontraída à agência Espalhe, em São Paulo, com placas coloridas de forro de fibra mineral. "No nosso caso, o forro modular colorido refletiu a eficiência e a irreverência que quisemos aplicar no projeto", conta o arquiteto Fernando Forte, do FGMF. Mas Fernando lembra que outras opções de forros devem ser consideradas também para compor os espaços corporativos, de acordo com as necessidades do espaço do cliente. Além do forro de fibra mineral, há opções de gesso, madeira, bambu e metal. Para Heloisa, apesar dos avanços na integração dos forros com sistemas como o de iluminação, por exemplo, ainda faltam produtos mais elaborados, como os difusores de ar-condicionado. "No exterior, encontramos difusores em modelos e cores que conferem ao forro um resultado estético mais interessante", explica a arquiteta.

"Fabricantes estão trazendo novas modulações e a junta seca para dar a impressão de um forro único"
Heloisa Dabus,
arquiteta

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Fonte: http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/222/como-especificar-sistemas-para-projetos-de-interiores-corporativos-266257-1.aspx

1 comentários:

Emilio Morales on 23 de novembro de 2016 12:42 disse...

Um dataroom virtual é uma solução eficaz para o armazém confidencial de documentação em transações de fusões e aquisições. E criado como parte do repositório central de dados sobre empresas ou divisões que se estão adquirindo ou vendendo.

 
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